A graça é, mesmo, de graça

É bastante comum pais e mães utilizarem um recurso nada pedagógico para conseguir que seus filhos lhes obedeçam ou façam algo que devem fazer. Por exemplo, se uma criança se recusa a vestir uma determinada roupa, a mãe promete um benefício em troca. “Se for boazinha e vestir logo a roupa, a mamãe lhe dá um sorvete”. E assim, cada vez mais, o adulto vai ficando refém de uma troca, de uma negociação com o filho para que a criança cumpra com algo para o qual não deve, necessariamente, obter vantagem. Por seu lado, a criança aprende que, desde que se recuse a fazer alguma coisa, poderá negociar para obter um benefício em troca. Essa atitude levada a extremos pode causar enormes prejuízos na formação da personalidade da criança. Isso porque, se os pais utilizarem esse recurso como alavanca para sua incapacidade de impor limites e respeito, de fazer a criança compreender seus direitos e obrigações, formarão um ser egoísta, irresponsável e com grandes dificuldades de se adaptar socialmente. Estava pensando nisso enquanto meditava a Palavra de Deus num texto muito conhecido de Malaquias que se refere ao dízimo. O profeta revela que o Senhor promete abrir as portas do céu e derramar bênçãos sobre a vida de quem devolver o dízimo integralmente ao templo.Seria Ele um pai incapacitado de ensinar aos filhos como cumprirem uma obrigação comum e necessária para o sustento da própria Casa do Pai e, portanto, casa de todos? Observei a didática divina. Primeiro Deus ensina o que deve ser feito, ou seja, “pagai integralmente os dízimo ao tesouro do templo. “(Mal 3, 10). Isso quer dizer: seja um filho cumpridor de suas obrigações de forma fiel e honesta. Logo em seguida, o Senhor revela sua promessa de benção: “e vereis se não vos abro os reservatórios do céu e se não derramo a minha bênção sobre vós muito além do necessário”. Mas, há um detalhe muito importante que faz a ligação entre o ensinamento do compromisso e a promessa da benção. O texto diz: “fazei a experiência…” E isso faz muito diferença! Aqui está um chamamento a uma mudança de vida. O texto sagrado não impõe uma obrigação, nem aponta castigos. Chama para que seja feita uma experiência nova, uma experiência que o próprio Deus oferece como oportunidade para uma mudança de vida. O dízimo não é proposto como algo para se fazer uma vez, mas ser incorporado à vida. E não por obrigação ou como forma de evitar um castigo. É atitude de vida, de fé, de amor. É preciso isso primeiro, essa mudança de atitude, de reconhecimento da graça e da presença de Deus na vida, pois dízimo implica em reconhecer que tudo vem de Deus, tudo é de Deus e tudo retorna a Ele. O dízimo propõe uma mudança radical, mas de forma suave, porque é uma proposta amorosa. Ser capaz de praticar a partilha na comunidade, ser capaz de abrir a mão para devolver uma parte do que conseguimos com nosso trabalho e que serve para nosso sustento material, é uma dura prova. Só se faz por amor e pela graça da fé. Depois, tudo fica fácil. Fica fácil para reconhecermos Deus presente em tudo e em todos, pois O reconhecemos como o autor da vida. E, assim, fica fácil para Deus realizar em nossas vidas seu plano de amor, plano que não é imposto por Deus, mas que se realiza a partir do meu sim, da minha conversão e aceitação. Então, não precisamos de um Deus que imponha sua vontade, nem de um Pai que necessite fazer trocas para nos ensinar o caminho. Tudo passa a ser uma relação de amor e fé. Nossa fé nos permite reconhecer, aceitar e viver o amor de Deus por nós e nos fortalece na fé. Nossa fé nos permite abrir nossa vida para a Graça de Deus, graça essa que é de graça mesmo, pela qual Ele não nos cobra, nem ameaça a fim de que a aceitemos. Resta saber, que tipo de filhos queremos ser. Odilmar Franco Missionário do MEAC 42) 9947 7212 – odilmar@meac.com.br

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