A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM Uma das cenas bíblicas que, acredito, tenha arrancado boas gargalhadas de Jesus foi o pedido de Pedro para caminhar como o mestre sobre as águas. “Venha”, desafiou Jesus. Mal pôs os pés na água, o ingênuo pescador afundou como suas velhas e enferrujadas âncoras. Faltou-lhe fé suficiente para vencer uma lógica da física: nenhum peso morto é capaz de levitar. Só mesmo Jesus, isento dos “pesos” humano. O episódio é útil para ilustrar um contraponto com o momento político que atravessamos. Transição e novos desafios. Tirando, é claro, a nebulosa situação de descrédito e sucessivos escândalos de corrupção que põem a pique muitas das instituições e agremiações públicas desse país. O combate à corrupção agora é questão de fé. Não apenas aquela que enleva espírito e coração e coloca o indivíduo cara a cara com Deus, mas a simples fé dos ingênuos à margem das “grandes fontes de recursos” e que também desejam caminhar até elas, ignorando o fosso que separa capital e poder. “Sim, você pode, mas tenha fé” – dizia Jesus ao inseguro pescador. Caminhar sobre as águas desse lago imenso é acreditar na justiça, mesmo que humana. É não afundar na desesperança. Sim, nós podemos! A questão principal é dar o primeiro passo. O patriotismo antes definido como amor e respeito às leis que nos governam, agora é também questão de foro moral – e até religioso, pois que cobra de todos nós uma postura coerente com o que temos de mais precioso: a esperança por um mundo melhor. O que não se admite num momento crítico é estacionarmos na contemplação dos desafios, sem coragem para um passo a mais, um único e decisivo passo, capaz de engolir a lógica e superar os desafios pela frente. Quem governa, defende seu território e seus poderes ao custo de um palavreado sem fim, promessas, promessas, promessas… Mas o governado quer transparência, resultados, eficiência. Uma transposição de águas exige água. Um combate à inflação, determinação. À carestia, abundância. Ao desemprego, produção. Mas à corrupção, vontade e vergonha na cara. Não se compreende um país rico em todos os recursos naturais, em posição estratégica num mundo assolado por catástrofes das mais diversas, onde impera o espírito de unidade na diversidade de raças que se mesclam, continuar mendigando seu futuro por desacreditar dos políticos que sua pungente democracia elege. Escolhe o prato e cospe nele. Qual a solução? Nenhum erro é passível de correção. Um governante eleito, por mais reacionário ou absolutista que queira ser, respeita e teme a voz do povo. Estão no poder por vontade popular. O governo entende que qualquer deslize ou insegurança na travessia de seu mandato pode lhe custar o próprio. Senão, ao menos uma mancha nodosa em sua biografia. Por isso a cautela é sua melhor conselheira. Prudência nem tanto, quando encontra indiferença e conformismo. Mas o poder fiscalizador do povo é maior que o próprio poder do mandatário. Nenhum governante ou instituição política poderá governar “levitando” sobre os problemas do seu povo, sem que este os faça afundar dia mais, dia menos. Uma vez estabelecida esta lógica, há de se observar que o momento atual é purificador e positivo, desde que o povo não abandone suas rédeas: fiscalizar e cobrar. Caso contrário, juntos afundaremos nesse mar de lamas. Voltando à cena bíblica, um detalhe não nos pode fugir: era noite e a barca dos discípulos era violentamente agitada pelas ondas e vento tempestuoso. Nada diferente do momento ”brasil”. Noite política e tempestades empresariais. Em meio a tudo isso, a voz da coerência da fé cristã é relegada aos seus púlpitos, como “fantasma” da consciência de muitos. Muitos dos que voltaram, ainda desconhecem a voz desafiadora da verdade de Cristo. Muitos nunca foram até Ele, pois insistem em ignorar seu modelo político. Mas o desafio ainda é o mesmo: “Homem de pouca fé, porque duvidaste”? WAGNER PEDRO MENEZES wagner@meac.com.br

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