Agentes pastorais mortos em 2012

OS AGENTES PASTORAIS MORTOS NO ANO DE 2012 “Os fiéis chamados a testemunhar em circunstâncias difíceis e perigosas não serão abandonados e indefesos” (Papa Bento XVI, Angelus 26/12/ 2012) No final do ano civil, como de costume, a Agência Fides publica a lista dos agentes pastorais que perderam a vida de modo violento no decorrer dos últimos 12 meses. Das informações coletadas, no ano de 2012 foram mortos 12 agentes pastorais, quase todos sacerdotes. Trata-se, de fato, de 10 sacerdotes, uma religiosa e uma leiga. Pelo quarto ano consecutivo, com o número mais elevado de agentes pastorais mortos está em primeiro lugar a AMÉRICA, com o assassinato de seis sacerdotes. Segue a ÁFRICA, onde foram mortos três sacerdotes e uma religiosa. E depois a ÁSIA, onde encontraram a morte um sacerdote e uma leiga. Como acontece há muito tempo, a medição de Fides não diz respeito somente aos missionários ad gentes em sentido estrito, mas a todos os agentes pastorais mortos de modo violento. Não é usado propositadamente o termo “mártir”, a não ser no seu dignificado etimológico de “testemunhas”, para não entrar no mérito ao juízo que a Igreja poderá dar eventualmente sobre alguns deles, e também pela escassez de notícias que se conseguem reunir sobre a vida deles e as circunstâncias da morte. A maior parte dos agentes pastorais mortos em 2012 encontrou a morte após tentativas de assalto: alguns surpreenderam os ladrões em sua própria casa e seus corpos foram encontrados inclusive com sinais de brutalidade e de tortura. Outros foram agredidos na rua e roubados em seus pertences ou seus carros. Ir. Liliane Mapalayi foi punhalada à morte enquanto estava no seu trabalho, numa escola administrada pela sua Congregação, onde se ocupava da parte contábil. Pe. David Donis Barrera foi agredido e esfaqueado num acidente de trânsito, depois de uma divergência com os passageiros do outro carro. Pe. Anastasius Nsherenguzi, ao invés, foi morto tentando dissuadir uma briga de alguns jovens. A leiga Conchita Francisco foi morta a tiros diante da catedral de Bongao, na região meridional das Filipinas, onde é alta a tensão pela presença de rebeldes muçulmanos, piratas, terroristas e criminosos. Como escreve o Santo Padre Bento XVI no Motu Proprio “Porta fidei”, com o qual convocou o Ano da Fé que a Igreja está celebrando, “Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir. Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma ação em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos. Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida, confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados.” (PF, 13) Os agentes pastorais mortos neste ano de 2012 não realizaram gestos excepcionais, não se propuseram à atenção da mídia por iniciativas ou escolhas espetaculares, mas simplesmente “confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão”. Viveram sua fé na humildade da vida cotidiana, em contextos de particular pobreza humana e espiritual, de degradação, de violência, onde o respeito pela vida e pela dignidade da pessoas são valores que não contam, tentando levar a esses ambientes seu testemunho de amor, daquele amor do Pai que Jesus Cristo veio mostrar. Em 26/12/2012, Bento XVI recordou no Angelus que o martírio do diácono Estevão mostra que “o nascimen-to do Filho de Deus inaugurou uma nova era, a era do amor. O amor abate as barreiras entre os homens. O amor os torna irmãos..”. E confiou à intercessão de Santo Estevão os cristãos perseguidos, amparados também pela nossa oração, e convidou, no seu exemplo, a “testemunhar sem medo, com coragem e determinação, a nossa fé”. Aos elencos provisórios preparados anualmente pela Agência Fides, deve sempre ser acrescentada a longa lista daqueles de quem, talvez, jamais se terá notícia, ou até mesmo de quem não se conhecerá nem mesmo o nome, que em todos os ângulos do planeta sofrem e pagam com a vida sua fé em Cristo, “soldados desconhecidos da grande causa de Deus” segundo a expressão do Beato Papa João Paulo II. PANORAMA DOS CONTINENTES AMÉRICA Na América foram mortos seis sacerdotes: 2 no Brasil; 2 no México; 1 na Colômbia; 1 na Guatemala. No Brasil foi morto na sua casa o sacerdote italiano Fidei donum Pe. Luigi Plebani. Por sua vez, Pe. Eduardo Teixeira foi assassinado na rua, durante um assalto. No México encontraram a morte Pe. Jenaro Aviña García, assassinado em sua casa por alguns ladrões, e Pe. Teodoro Mariscal Rivas, que foi encontrado com um plástico na cabeça, com pés e mãos amarrados. Na Colômbia foi morto durante um assalto Pe. Pablo Emilio Sanchez Albarracin. Na Guatemala foi morto David Donis Barrera, agredido e esfaqueado depois de um acidente automobilístico. ÁFRICA Na África foram mortos 3 sacerdotes e 1 religiosa: 1 na R.D.Congo; 1 em Moçambique; 1 na Tanzânia; 1 em Madagascar. Na R.D. do Congo encontraram a morte Ir. Liliane Mapalayi, da Congregação das Irmãs da Caridade de Jesus e Maria, punhalada à morte na escola em que trabalhava. Em Moçambique foi barbaramente assassinado o Missionário da Consolata (IMC) Pe. Valentim Eduardo Camale, durante um assalto à sua missão. Na Tanzânia morreu Pe. Anastasius Nsherenguzi, assassinado por alguns jovens na tentativa de apartar uma briga. Em Madagascar foi morto durante um assalto o jesuíta pe. Bruno Raharison (SJ). ÁSIA Na Ásia são dois os agentes pastorais mortos: 1 sacerdote e uma leiga. Morreram no Líbano e nas Filipinas. No Líbano morreu padre Elie Gergi al-Makdessi, da Ordem Libanesa Maronita, assassinado na rua durante uma tentativa de assalto. Nas Filipinas morreu a leiga Conchita Francisco, agente pastoral, morta a tiros por homens não identificados diante da catedral de Bongao, onde pouco antes havia conduzido a oração do Terço e tinha participado da Santa Missa. BIOGRAFIA E CIRCUNSTÂNCIA DA MORTE Pe. David Donis Barrera, 70 anos, há dois anos pároco da paróquia da Sagrada Família no Oratório, na diocese de Santa Rosa de Lima, na Guatemala, foi assassinado em 27 de janeiro de 2012. Após um pequeno acidente automobilístico, ocorrido enquanto se dirigia à capital, foi agredido e depois esfaqueado pelos passageiros do outro veículo. Pe. Jenaro Aviña García, 63 anos, pároco da paróquia da Imaculada Conceição em Co Atizapan de Zaragoza, na Arquidiocese de Tlalnepantla (México), foi assassinado na sua habitação nas primeiras horas da manhã de 28 de janeiro de 2012. Segundo o boletim de ocorrência da polícia, “o sacerdote usava pijama e chinelos e, ao que tudo indica, ouviu alguns barulhos e abriu a porta da canônica”. “A Igreja local de Tlalnepantla – destacou o comunicado do Arcebispo – condena de modo absoluto todos os atos de violência que ocorrem, não somente contra os católicos, mas contra todas as pessoas, independentemente da raça, da língua e da religião”. Ir. Liliane Mapalayi, da Congregação das Irmãs da Caridade de Jesus e Maria, foi punhalada à morte por um indivíduo em 2 de fevereiro de 2012, em Kasai ocidental (R.D.Congo). A religiosa trabalhava numa escola administrada pela sua Congregação, ocupando-se da parte contábil. Foi agredida por volta das 13h, no seu escritório, na escola. Ouvindo um grito, o Diretor da escola e uma freira foram até o local onde se encontrava Ir. Liliane, que morreu em seus braços, com uma faca de cozinha no coração. Pe. Anastasius Nsherenguzi, sacerdote da diocese de Kayanga (Tanzânia), 43 anos, foi gravemente ferido em 6 de abril, Sexta-Feira santa, e morreu um dia depois, 7 de abril, depois de algumas horas de agonia sem revelar qualquer detalhe sobre o ocorrido. Após as investigações, se apurou que pe. Nsherenguzi voltava para casa proveniente de Bushangaro, que havia visitado para uma celebração religiosa. No trajeto, se deparou com alguns jovens que estavam brigando entre si, e interveio para evitar que a briga degenerasse, mas foi atingido por um dos jovens com uma grande pedra, que lhe provocou ferimentos mortais. Pe. Luigi Plebani, 62 anos, missionário italiano Fidei Donum da Diocese de Brescia, foi assassinado no Brasil, em Rui Barbosa, no Estado da Bahia. O sacerdote foi encontrado enforcado em sua casa com um esparadrapo na boca, no domingo 29 de abril de 2012. Estava sendo esperado para a celebração da Missa e não vendo ele chegar, algumas mulheres foram procurá-lo e encontraram a cena dramática. Provavelmente tratou-se de um assalto que terminou de maneira trágica: os assassinos teriam depois encenado um suicídio. “Padre Luis”, como era conhecido no Brasil, onde se encontrava desde 1980, tinha recebido no passado ameaças de morte de alguns prisioneiros que regularmente visitava na prisão local, provavelmente da parte de gangues ligadas ao tráfico de drogas. Pe. Valentim Eduardo Camale, dos Missionários da Consolata (IMC), de 49 anos, foi brutalmente assassinado na noite de 3 de maio de 2012, durante um assalto na Missão de Liqueleva (Moçambique). Pe. Valentim foi agredido por quatro assaltantes, que provavelmente queriam pegar as poucas ofertas recolhidas para a creche administrada pelos missionários, e reagiu imobilizando um dos bandidos, mas foi dominado pelos outros três, que o espancaram até a morte. Encontrado numa poça de sangue por um confrade que voltava do trabalho pastoral, foi levado às pressas para o hospital, mas morreu no caminho. Pe. Pablo Emilio Sanchez Albarracin, da Diocese de Cucuta (Colômbia), foi agredido em sua casa, na paróquia de Santa Maria Mãe de Deus, no município de Los Patios em Cucuta, no norte da Colômbia, durante um assalto, na manhã de 8 de agosto de 2012. Os criminosos, provavelmente descobertos pelo sacerdote, o feriram gravemente. Transportado para o hospital, morreu em 11 de agosto, após três dias de agonia. Padre Elie Gergi al-Makdessi da Ordem Libanesa Maronita foi morto durante uma tentativa de assalto. O seu corpo foi encontrado em 25 de agosto de 2012 na estrada marítima de Naameh, 10 km ao sul de Beirute. A morte foi causada por asfixia e afogamento. Nascido em 1962, era monge da Ordem Libanesa Maronita e viveu num convento no povoado de Bhersaf. O sacerdote Teodoro Mariscal Rivas, de 45 anos, foi encontrado morto assassinado em sua casa no bairro de Santa Fé. Dedicou-se ao cuidado pastoral da Igreja de Santa Cecília localizada dentro da Paróquia de Santo Niño de la Salud, no distrito de Mochicahui, na parte central do Golfo da Califórnia, no México. Pe. Rivas foi encontrado na manhã de 20 de setembro de 2012, com mãos e pés atados, e com um saco na cabeça que causou asfixia. O assassinato ocorreu entre 18 e 19 de setembro. Dentre as coisas de valor que não foram encontradas está o seu carro. Pe. Bruno Raharison, sacerdote jesuíta (SJ) de nacionalidade malgaxe, tesoureiro da congregação João XXIII de Mahamasina (Madagascar), foi morto no domingo 30 de setembro de 2012, durante um assalto na rua. O carro do religioso foi notado em 30 de setembro, estacionado ao longo da rodovia 2 que leva de Antananarivo a Tamatave, perto da localidade de Carion. A polícia foi alertada e estabeleceu um serviço de vigilância. No dia seguinte, foi preso um jovem que tentava recuperar o carro e levado para a delegacia de polícia. Depois de uma busca na área, em 2 de outubro, foi encontrado o corpo de Pe. Bruno a 400 metros do local onde se encontrava o carro. O sacerdote foi atingido várias vezes por facadas no peito, costas e cabeça. A leiga católica Conchita Francisco, 62 anos, agente de pastoral, viúva e mãe de dois filhos, foi morta a tiros por homens não identificados em frente à catedral católica de Bongao, na província filipina de Tawi-Tawi, no sul do arquipélago, em 13 de novembro de 2012. A mulher tinha acabado de sair da igreja, onde todos os dias conduzia a oração do Rosário e participava da Santa Missa. Conchita, conhecida como “Ching”, foi um pilar nas atividades pastorais da pequena Igreja local. Dez anos atrás, seu marido foi assassinado. Foi diretor da escola de segundo grau do campus da “Mindanao State University” (MSU) em Bongao e segundo algumas fontes locais, o assassinato pode estar ligado a questões ligadas ao seu trabalho na estrutura. Pe. Eduardo Teixeira, sacerdote brasileiro, de 35 anos, foi assassinado na noite de domingo 16 de dezembro de 2012, em Novo Hamburgo (Rio Grande do Sul), Brasil, durante um assalto. Pe. Teixeira e outro sacerdote estavam parados num semáforo quando se aproximaram dois ladrões. Os dois sacerdotes foram obrigados a seguir os bandidos num parque e depois de entregar sua carteira, Pe. Eduardo foi atingido por pelo menos dois tiros de armas de fogo durante a tentativa de retorno para o carro. Pe. Teixeira, sacerdote há 3 anos, foi pároco de Santa Terezinha de Campo Bom, e recentemente foi nomeado pároco da Paróquia de São Jorge, no bairro Campina (SL). Os Agentes Pastorais assassinados de 1980 a 2011 Segundo dados da Agência Fides, na década 1980-1989 perderam a vida de modo violento 115 missionários. Este número é com certeza menor do que o real, pois se refere somente aos casos certificados e dos quais se têm notícias. O quadro sintético dos anos 1990-2000 aponta um total 604 missionários assassinados, sempre segundo nossas informações. O número é sensivelmente mais elevado em relação à década precedente; todavia, devem ser levados em conta os seguintes fatores: o genocídio de Ruanda (1994) que provocou pelo menos 248 vítimas entre o pessoal eclesiástico; a maior velocidade dos meios de comunicação em difundir as notícias, inclusive das áreas mais remotas; a conta não se refere somente aos missionários ad gentes em sentido restrito, mas ao pessoal eclesiástico morto de modo violento ou que sacrificou a vida consciente do risco corrido, e a fim de não abandonar as pessoas que lhes estavam confiadas. Nos anos 2001-2011, o total dos agentes pastorais assassinados é de 281 pessoas ANO TOT BIS SAC DIAC IRM REL SEM IVC CAT LEI VOL 1990 17 10 7 1991 19 1 14 1 3 1992 21 6 2 13 1993 21 1C+1 13 4 1 1 1994 26 20 1 4 1 1994* 248 3 103 47 65 30 1995 33 18 1 3 9 2 1996 48 3 19 8 13 1 2 1 1(ct) 1997 68 1 19 1 7 40 1998 40 1 13 5 17 4 1999 32 17 9 4 2 2000 31 19 7 3 1 1 2001 33 25 5 1 1 1 2002 25 1 18 1 2 2 1 2003 29 1 20 1 3 2 2 2004 16 12 1 3 2005 25 1 18 2 3 1 2006 24 17 1 3 2 1 2007 21 15 3 1 1 1 2008 20 1 16 1 2 2009 37 30 2 2 3 2010 25 1 17 1 1 2 3 2011 26 18 4 4 * = Dados relativos apenas ao genocídio de Ruanda. BIS: bispos; C: cardeais; SAC: sacerdotes diocesanos e religiosos; DIAC: diáconos; IRM: religiosos não sacerdotes; REL: religiosas; SEM: seminaristas; IVC: membros de institutos de vida consagrada; CAT: catequistas; LEI: leigos; VOL: voluntários; ct: catecúmenos. DADOS, COMENTÁRIOS E APROFUNDAMENTOS SOBRE OS AGENTES PASTORAIS MORTOS NOS ÚLTIMOS ANOS PODEM SER CONSULTADOS EM NOSSO SITE: www.fides.org Dossiê de Fides aos cuidados de S.L. – Agência Fides 29/12/2012

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