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CAMPANHA DA FRATERNIDADE E A QUARESMA

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Os quarenta dias que antecedem a Páscoa cristã (quaresma) podem nos levar a um verdadeiro encontro com o Ressuscitado. Durante esse tempo também, a Igreja Católica, através da Campanha da Fraternidade, trás a oportunidade de aprofundar temas relacionados com a Palavra e o cotidiano das pessoas.

Nesse ano, a Campanha da Fraternidade enfatiza a questão da violência nas suas mais diversas áreas de abrangência. A Igreja propõe a superação da violência. Diferentemente do combate a violência. A superação da violência consiste em perceber através do diálogo, nos mais variados seguimentos da sociedade as causas da violência. É um certo entrar no mérito da questão. O profeta Isaías nos dirá “ O fruto da justiça será a paz e a obra da justiça consistirá na tranqüilidade e na segurança para sempre” (Is 32,17). O profeta nos mostra que uma sociedade injusta é a grande causa da violência. Somos testemunhas de tantas injustiças em nosso país.

Desde que acordamos pela manhã estamos sujeitos ou somos sujeitos da violência. Isso quer dizer que somos sempre vítimas da violência, seja ativa ou passiva. Ativa quando somos nós os autores, provocadores da violência; passiva quando sofremos qualquer tipo de violência.

A quaresma nos proporciona um voltar para dentro de si. E assim podemos perceber o sofrimento de Jesus no caminho do calvário, quando após seu julgamento injusto, foi condenado, violentado através de atos e palavras pelas autoridades eclesiais e civis de seu tempo. Olhando para nosso cotidiano, temos a oportunidade de perceber que ora somos chicoteados ora somos os carrascos que dilaceraram a pele de Jesus. Hoje não mais em Jesus, mas nos nossos semelhantes.

A violência permeia nossa sociedade de diversas formas. É escamoteada com palavras e números através dos meios de comunicação. Suas causas são as mais diversas. Suas raízes se alimentam do pecado, da injustiça, da desigualdade social, das neuroses de cada individuo que perde por ora o sentido da racionalidade humana. Não importa como ou de que forma somos partícipes da violência, mas a sua superação já nos foi demonstrada na cruz. Só o sofrimento de Jesus, pode, nessa quaresma nos levar a um caminho que nos conduza para um ressuscitar de cada um para uma vida nova. A proposta é que cada um de nós possa identificar quando é o autor, protagonista da violência, ou quando é vítima da violência, nas mais variadas formas.