Uma Pastoral do Dízimo desordenada

A vida em toda a sua plenitude necessita de uma ordem para bem viver, até mesmo com os imprevistos da vida, se temos certa organização, certa ordem, teremos maiores meios para enfrentar e superar tais fatos inesperados. A Sagrada Escritura nos diz que no princípio a terra estava vazia e sem forma, as trevas cobriam o abismo; e Deus, disse: “Haja luz!” E a luz existiu (cf. Gn 1,1-3ss). Deus-Criador ordenou o “vazio abismo” – a Bíblia usa da linguagem humana para falar de uma realidade divina – na lógica da criação, Deus vai criando com mãos de artista o universo, a terra e tudo o que a compõem, criando, também, os seres humanos, e os cria a sua imagem e semelhança, e Deus viu que o que havia feito era muito bom (cf. Gn 1,26-31). Assim, também, é com a experiência do Dízimo e com toda a sua organização, com toda a sua ordem que possibilita fazer essa extraordinária experiência de fé. Sem dúvida encontramos em nossas paróquias, comunidades e até mesmo dioceses, com uma Pastoral do Dízimo desordenada, sem identificação, sem rumo, sem planejamento, sem ordem. Aqui trazemos algumas dicas para melhor organizar a Pastoral do Dízimo em sua comunidade e paróquia: A- É fundamental que a Equipe Missionária da Pastoral do Dízimo seja identificada na comunidade, os agentes reconhecidos, o testemunho visível. A equipe corre o risco de ser identificada como a “equipe do dinheiro”, isso prejudica a vivência da partilha, da fraternidade na comunidade. Outro risco é o fechamento da própria equipe, sentindo-se uma pastoral à parte. A Pastoral do Dízimo é a pastoral que envolve a todos a fazerem experiência do amor partilha, e toda a equipe deve estar convicta de que se trata de uma pastoral de conjunto, sua ação na comunidade e na paróquia é muito mais ampla; B- É importante que a comunidade paroquial escolha um dia fixo, que seja reconhecido como o “Dia do Dízimo”, o “Dia da Partilha”; neste dia reza-se pelas famílias dizimistas, convida-se os dizimistas a fazerem sua devolução do dízimo, reflete-se sobre o dízimo, a partilha e a vida fraterna. Em alguns lugares não há um dia escolhido para rezar e tão pouco para fazerem a devolução do dízimo, como se todos os dias fossem os dias todos; C- É essencial que a Equipe Missionária da Pastoral do Dízimo se encontre periodicamente para rezar, refletir, trocar experiências, ao esquecendo que os momentos lúdicos são fundamentais. Avaliar, planejar, propor ações ajudará a essa Pastoral a melhor se organizar. É lamentável constatar que há equipes que se encontram somente para ensaiar cantos ou quando o padre convoca; D- Ter acesso a bons materiais que ajudam na organização das ações da Pastoral da Partilha e utilizá-los bem, fortalecerá ainda mais a Pastoral do Dízimo em sua comunidade e paróquia. Lembra-nos o Documento de estudo da Pastoral do Dízimo da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, número 8: “Um sistema de dízimos que simplesmente deixasse plena espontaneidade para que cada um contribuísse com quanto, como e quando quisesse, já não poderia chamar-se de dízimo. Não teria nenhuma chance de se sistematizar e de responsabilizar as pessoas. Já não seria mais dízimo, mas se classificaria dentro das ‘contribuições espontâneas’ que, com ou sem dízimo, sempre tiveram seu lugar nas comunidades religiosas. Preciso ainda lembrar que, em um mundo técnico como o que vivemos, tudo o que não tem um mínimo de organização e controle é naturalmente menosprezado e não é levado a sério” (p. 57). Isso deve fazer pensar: como a Pastoral do Dízimo está organizada em nossa comunidade? Realizamos um planejamento, sendo levado a sério sua execução? A Pastoral do Dízimo em nossa comunidade encontra-se desordenada? O mesmo Documento, também, nos lembra que “o dízimo é concebido como expressão de vivência de fé em comunidade, sinal da doação livre e responsável diante de Deus, sua implantação e manutenção parecem excluir todo tipo de organização complexa, precisa e impessoal, que sugerisse tratar-se de um departamento especializado dentro da Igreja” (p. 56). A organização é fundamental no serviço pastoral, planejar demonstra vontade de realizar; por ordem é sistematizar. Uma Pastoral do Dízimo desordenada não levará a bons resultados pastorais e toda a comunidade será prejudicada. Boa reflexão, e bom propósito de colaborar cada vez mais pela organização da Pastoral do Dízimo em sua comunidade. Fraternalmente, Padre José Ronnes dos Santos Santana Paróquia São Francisco de Assis, Fátima-Bahia Diocese de Paulo Afonso – Bahia Contato: (75) 3658.2020

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