BEIJO COM PIMENTA

O beijo é melhor que o chocolate, pois aguça todos os sentidos, libera endorfinas e possui a vantagem de queimar calorias. Isso o doce não faz. Esse é o mais novo argumento governamental para que nossos estudantes, dos 13 aos 19 anos, possam melhor “curtir a vida”, seguindo à risca a cartilha “Saúde e prevenção nas escolas”, que ensina: “Sexo não é só penetração. Seduza, beije, cheire, experimente”. Absurdo? Pois é isso que se desprende (ou seria exala?) desse impresso elaborado pelos ministérios da Saúde e da Educação, para incrementar a distribuição gratuita de 100 milhões de camisinhas aos alunos da rede pública de ensino. Com deslavada “naturalidade”, a agenda “oficial” induz ao sexo sem compromisso, em outras palavras, à prostituição infanto-juvenil. “A realidade é essa: “ficar” hoje é parte da vida de muitos jovens”, dizia a diretora do Programa Nacional DST/Aids, cujo nome não merece citação. “É uma coisa de adulto, querendo ser jovem”, diz uma psicóloga. Adultos pervertidos, que transferem para o vigor da juventude o comportamento sadomasoquista de suas frustrações. Eis o gancho. Verdadeiramente, grande percentual de nossa juventude (48%) já possui uma vida sexual ativa. Isso não justifica uma educação escandalosamente promíscua, que coloca os valores morais (para não dizer dos valores religiosos) na vala comum, induzindo a todos ao sexo sem compromisso, ao “liberou geral” que as campanhas no mínimo inescrupulosas vendem a seu público alvo. Só assim para justificar a disponibilidade de camisinhas junto às máquinas dos refrigerantes, das balas e guloseimas mais, como planejam certos “especialistas” do governo. Viva a sociedade de consumo! Enquanto isso, que se danem os princípios básicos da sociedade, a opinião dos pais, a voz da Igreja, a ética, os bons costumes. “É imenso o clamor que se eleva de Sodoma e Gomorra, e o seu pecado é muito grande” (Gen 18,20). Enterramos no passado o exemplo de pureza e castidade do jovem Domingos Sávio, cujo “suave e magnífico exemplo de santidade juvenil” (Paulo VI), seguia a cartilha do catecismo cristão: “Antes morrer do que pecar”. O Estado não é responsável pelos valores mais íntimos do indivíduo. Vem antes a família, a formação religiosa, o meio que constrói sua personalidade. “Os pais, que transmitiram a vida aos filhos, têm uma gravíssima obrigação de educar a prole e, por isso, devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores. Esta função educativa é de tanto peso que, onde não existir, dificilmente poderá ser suprimida… A família é, portanto, a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades têm necessidade” (Vat II – Dec Sobre a Ed Cristã). Respeitemos as etapas. Sexo, sexualidade, dons de Deus para a preservação da vida, é algo santo e sublime que só a união conjugal pode elevar ao grau de um ato de plenitude humana. Diz a Igreja: “não é em absoluto algo meramente biológico, mas diz respeito ao núcleo íntimo da pessoa humana como tal” (FC 11). Respeitemos nossas crianças, nossos adolescentes e jovens. Eles também têm o direito de opção livre e madura, de uma sexualidade sadia, agradável a Deus. Não precisam provar nada a ninguém, mas a si próprios. Não precisam da tutela do Estado, para se sentirem adultos. “Nenhum país do mundo, nenhum sistema político pode pensar no seu futuro como através da imagem dessas novas gerações que assumirão dos pais o múltiplo patrimônio dos valores, dos deveres e das aspirações da nação à qual pertencem” (JPII-ONU-1979). Com chocolate ou sem, com mil beijos adocicados ou apimentados, não importa, um dia compreenderão que sexualidade também é dom de Deus, merece respeito. WAGNER PEDRO MENEZES

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