Cardeal Cláudio Hummes fala sobre os desafios de inculturar a fé nos povos da Amazônia

Hoje, 24, na coletiva de imprensa da 50ª AG dos bispos da CNBB, esteve presente o arcebispo emérito de São Paulo e Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB, Cardeal Cláudio Hummes. Na ocasião, o arcebispo afirmou que “a fé tem um caráter missionário”, e falou sobre os desafios de levar a evangelização a povos longínquos da Amazônia como ribeirinhos, povos da floresta e indígenas. Durante sua declaração, o cardeal ressaltou que um dos desafios da missão evangelizadora, é a falta de uma constante formação de clero local nessas comunidades da floresta. “Existe uma dificuldade cultural de se formar padres nessas localidades”, disse dom Cláudio Hummes. De acordo com o cardeal, mesmo entre os índios católicos, que fazem parte da igreja há três ou quatro gerações, é complexa a tarefa de formação de sacerdotes. “Na igreja, a cultura europeia tem uma preponderância muito grande, então como um índio, por exemplo, se sente em um seminário, onde a grande maioria são brancos, e poucos índios? Obviamente eles não se sentem em casa”, explica. Além da questão cultural, para ele, há a necessidade de se destinar mais verbas para os povos da Amazônia. “Como acolher as vocações se os recursos são escassos?”, questiona o cardeal. Para dom Cláudio, é sempre um desafio quando duas culturas distintas têm que coexistir. Com os índios, por exemplo, ele explica que a forma ideal de conviver e de evangelizar, é a partir do diálogo. “Temos que ouvir os povos indígenas. Eles têm uma forma própria de entender a vida, tem sua religiosidade. É preciso dialogar com esses elementos verdadeiros que eles possuem”, disse. O Cardeal acredita que é necessário fazer com que a fé no evangelho amadureça nas localidades cristãs. “A igreja missionária deve inculturar a fé nas culturas onde se prega o evangelho. Uma fé não inculturada, não é uma fé vivida e madura”, alega. O arcebispo finalizou dizendo que um dos grandes desafios é fazer cm que a Amazônia avance sem perder sua identidade. “Temos que atender aos pedidos dos povos, ouvir suas necessidades. Eles precisam ser ouvidos para serem sujeitos de sua própria história. Temos que fazer com que a Amazônia progrida, porém mantendo sua particularidade”, disse.

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