Deixar-se conduzir pelo Espírito

Na sua carta aos Romanos, 8,14, São Paulo afirma que “Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. Ora, logicamente podemos entender que os que não se deixam conduzir por esse mesmo Espírito não são filhos de Deus. Permanecem no mundo como criaturas belíssimas do Criador, mas que não aceitaram a adoção de Deus como Pai. Estava refletindo sobre essa passagem quando observei um fenômeno interessante. O jardim da minha casa andava precisando dos serviços de um jardineiro. Com tempo chuvoso e muito calor, tanto a grama quanto toda sorte de pragas haviam crescido desordenadamente. Algumas plantas estavam já enormes, derramando suas sementes que, sem dúvida, floresceriam em pouco tempo e acabariam por tomar conta do jardim. Um belo dia, lá veio o jardineiro e realizou o seu trabalho. Poda aqui, arranca ali, coloca terra acolá… Ao final da tarde, quando retornei do trabalho, quanta diferença! O jardim estava todo arrumado. A grama parecia mais verde, mais bonita; as flores pareciam ter suas cores realçadas, havia uma harmonia incrível que embelezava a casa toda. Eu e minha esposa comentamos sobre o novo aspecto. “É, às vezes é preciso podar para descobrir a beleza escondida no meio do mato e das pragas”, comentou minha esposa. É verdade! Sem podas, sem cortes, sem limites tudo cresce desordenadamente. Assim como a natureza precisa de um direcionamento, a natureza humana também. E aí vem a importância das podas, dos limites. Coisas que os pais de hoje não estão percebendo e, no afã de serem muito “amigos” dos filhos, estão deixando de serem pais. Vendo o resultado do trabalho em meu jardim, pensei: “Pai, de verdade, é aquele que poda, que corta quando e onde for preciso para que toda a planta não morra, não seja sufocada pelas pragas e mostre toda sua beleza e formosura”. Há poucos dias, eu e minha esposa passamos por uma experiência de poda. Num relacionamento em grupo fomos podados nas nossas aspirações, nas nossas vontades e desejos. Planejávamos certas ações com vistas à melhoria de nosso futuro, mas outros que caminham conosco nos podaram. Fizeram-nos ver que nem tudo o que queremos, é o que realmente precisamos. Tivemos que abrir mão de coisas que nos pareciam, naquele momento, muito importante, fundamentais mesmo para nossa vida. Aceitamos a poda, porque entendemos que Deus se utilizava de “instrumentos humanos” para afastar de perto de nós o perigo da ganância, do individualismo, do egoísmo, da falta da partilha. Hoje, percebemos que, as podas que Deus realiza em nossa vida, na verdade não doem. O que dói é ter que aceitar sermos podados. Curvar nossa vontade à vontade de Deus. Dizer, como disse Maria: “Seja feita a Vossa vontade”, e permitir que esse vontade divina se realize. Então, comecei a entender que “aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus” não são só filhos de Deus, são morada do Pai e também se tornam instrumentos valiosos nas mãos do Criador. Deixar-se conduzir pelo Espírito, mesmo que seja para aceitar algumas podas que limpem nosso jardim interior, para que ali brotem as verdadeiras flores, os verdadeiros frutos da Palavra de Deus. Quando a Palavra diz que “todos os dízimos da terra, tomados das sementes do solo ou dos frutos das árvores, são propriedade do Senhor, são coisas consagradas ao Senhor”, (Lev 27,30), devemos entender que aí está uma poda programada por Deus em nossa ânsia de se assenhorar de tudo, de enriquecer a qualquer custo, de guardar e guardar cada vez mais para nós mesmos, quando devemos repartir, partilhar. Devolver a Deus, por meio da comunidade da qual faço parte, aquilo que a Deus pertence. Não só porque é um “mandamento”, mas porque aceito essa orientação paterna. Entendo que com essas palavras, o Pai que ama está orientando o filho e, por isso, por confiar e amar o Pai, aceito e coloco em prática. Mesmo que minha vontade seja diferente, pois “todos os que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus”. Pense nisso! Releia Levítico capítulo 27, 30 e medite essa Palavra. Deixe-se conduzir pelo Espírito e seja um dizimista consciente. Revele ao mundo a beleza interior que brota de um coração que se deixa conduzir pela orientação do Pai. Odilmar de Oliveira Franco MEAC – Missionários para Evangelização e Animação de Comunidades Palmeira – PR – (42) 3252 3099 – 9947 7212 Email: odilmar@meac.com.br

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