DEUS, CIÊNCIA E POLÍTICA

Semana passada, um político brasileiro foi sumariamente expulso de seu partido por tentar incluir o nome de Deus na constituição do país. Onde se lê “todo poder emana do povo” o deputado sugeriu “todo poder emana de Deus”. Teórica e teologicamente, a emenda sugerida está correta. Quem reafirma essa verdade é o próprio Cristo, diante de Pilatos: “Nenhum poder lhe seria dado se não viesse do Céu (se Deus não o permitisse)”. Mas nossos ciosos parlamentares preferem manter a “pureza” de uma constituição “laica” a darem atenção a um detalhe religioso. Detalhe que diz muito. Começa pela opinião do líder do partido, que assim se justificou: “Ele colidiu com um ponto fundamental do nosso partido, que é a defesa do Estado laico. Respeitamos todas as crenças, mas o discurso fundamentalista religioso não pode ser tolerado” (FSP). Muito bem, assim caminham os Estados da modernidade, longe de Deus, ausentes da realidade… Não vale sequer citar nomes, partidos e pessoas aqui envolvidas, já que essa posição é quase unanimidade no meio político. A decisão aqui referida, por exemplo, obteve 53 votos contra um do seu diretório nacional. Política moderna se faz assim mesmo, ignorando por completo a justiça e ensinamentos de Deus, mesmo que Este ainda cutuque a consciência de muitos. Falar de Deus num meio parlamentar é quase uma blasfêmia, um ato falho imperdoável, pode concluir o leitor (pior, o eleitor). Tal detalhe explica – e muito – o caos que estamos presenciando… O detalhe é que o nome de Deus nos envergonha. Isso mesmo. Enquanto, em nome de uma democracia que agrade a todos, se faz concessões puritanas e desnecessárias, a grande maioria se sente excluída, agredida na fé que possuem. Deus se torna uma vergonha nacional. Um empecilho a manchar leis e constituições meramente humanas. Mas, com o que temos aí, melhor mesmo é manter o nome de Deus longe disso tudo! No entanto, não se trata apenas de camuflar um conceito religioso. Na verdade, estamos oficializando o ateísmo quando, em qualquer circunstância política, social ou alhures, ocultamos nossas crenças. A ciência humana não pode nunca desmerecer a Ciência de Deus, única a nos explicar a razão da própria vida, do ser político que somos, da religiosidade que alimenta nossa esperança e dos conhecimentos que engrandece nossa ciência. Um fato, para ilustrar. Consta que certo professor, para questionar seus alunos a respeito da existência ou não de Deus, fez-lhes uma pergunta capciosa: Deus criou tudo o que existe? Diante da afirmativa geral da classe, o mestre emendou com astucia. “Pois se é assim, Deus também criou o mal, o Deus de vocês é maligno”. No silêncio inquietante que se seguiu, perdurava a momentânea vitória do palestrante, que queria questionar a existência divina. Mas um aluno se atreveu a levantar a bola: Mestre, o frio existe? Diante da afirmativa do professor, o aluno surpreende: Não, não existe, porque o frio é o zero absoluto, a ausência total do calor. E continuou: Da mesma forma a escuridão, ausência de luz ou o mal, ausência do bem. O mal é uma situação criada pela ausência de Deus. Ele não criou o mal. Este é o resultado da ausência de Deus nos corações humanos. Da mesma forma o frio, quando não há calor ou a escuridão, quando não há luz. Sem outros argumentos, ao derrotado mestre restou a curiosidade diante daquele jovem que lhe provava a existência de Deus. Qual o seu nome, meu jovem? Albert Einstein, disse o aluno. Da mesma forma, quando um dia perguntei ao meu filho mais velho, criança ainda, qual seria a maior ausência do mundo. Deus? Não – respondeu em sua inocência – Deus é a maior presença. A maior ausência é a paz que falta nos corações sem Deus… WAGNER PEDRO MENEZES wagner@meac.com.br

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