• Revista Calendário do Dízimo 2018

O QUE O DÍZIMO NOS REVELA? Dom Redovino Rizzardo Bispo de Dourados (MS)

No dia 25 de maio, os órgãos de imprensa do Brasil informaram que as contribuições do Partido dos Trabalhadores aumentaram 353% de 2009 a 2011. Em 2011, elas chegaram a R$ 50,7 milhões, enquanto que as anteriores haviam sido R$ 11,2 milhões em 2009 e R$ 4,2 milhões em 2007.

Quatro meses após, no dia 20 de setembro, alarmados pelo grande número de pessoas que, embora se declarando católicas, deixam de contribuir com o dízimo, os bispos alemães publicaram um decreto determinando que, quem assim age, perde o direito de exigir os sacramentos e os serviços prestados pela Igreja.

Como se sabe, há vários séculos, por influência da Igreja Luterana, ao assumirem um emprego em qualquer empresa, os alemães comunicam a religião a que pertencem e entregam 8% de seus rendimentos anuais às Igrejas a que pertencem. Quem se declara agnóstico ou ateu, fica isento da contribuição. Os católicos representam 30% da população, mas, a partir de 2010 – quando vieram à tona escândalos sexuais cometidos por alguns eclesiásticos – aproximadamente 180.000 deles se afastaram da Igreja.

Para a Conferência Episcopal Alemã, «não é possível separar a comunidade espiritual da Igreja institucional». É impossível manter um relacionamento correto com Deus sem olhar para os irmãos que caminham ao nosso lado. Não tem sentido a decisão – que não passa de desculpa – tomada por alguns cristãos, que proclamam: «Cristo, sim; Igreja, não!».

A todo direito corresponde um dever. A Igreja é formada por pessoas “santas e pecadoras”, como lembra seguidamente a liturgia. Para vingar e crescer, ela depende de minha participação – que não é apenas espiritual, uma questão interna e pessoal, entre eu e Deus. Se não contribuo pastoral e financeiramente, a minha adesão à fé é ilusão e demagogia. Quando não passa pela carteira, o meu amor se assemelha a «sino ruidoso e a címbalo estridente» (1Cor 13,1).

É muito mais cômodo rezar o rosário, participar de cultos e celebrações, confiar em objetos religiosos, fazer procissões e romarias, etc., do que devolver o dízimo. «O apego ao dinheiro é a raiz de todos os males» (1Tm 6,10), e só consegue vencer a tentação quem encontra em Deus a sua realização, a sua alegria e a sua «grande recompensa» (Gn 15,1). «Riqueza acumulada é sinal de morte; riqueza partilhada é sinal de vida», adverte o periódico “Liturgia Diária”, no comentário que preparou para a missa do último domingo de setembro.

Evidentemente, isso vale também e sobretudo para quem recolhe o dízimo. Seria um absurdo e um escândalo se o líder de uma igreja – bispo, padre ou pastor – aproveitasse da contribuição de seus fiéis – um dinheiro sagrado, porque fruto do amor e do sacrifício de quem tem fé – para adquirir o melhor carro da paróquia, comprar fazendas, transformar sua residência num palácio e exigir salários de marajá. A finalidade do dízimo é assim delineada pelo Código de Direito Canônico da Igreja Católica: «Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros. Devem ainda promover a justiça social e, lembrados do preceito do Senhor, socorrer os pobres com as próprias rendas».

Talvez pelos abusos a que o dízimo está sujeito, sempre houve e continua havendo pessoas que o questionam. Até São Paulo precisou se defender das críticas que lhe dirigiram alguns cristãos de Corinto: «Os ministros do culto vivem dos rendimentos do templo e quem serve ao altar participa do que é oferecido sobre o altar. O Senhor ordenou que, quem anuncia o Evangelho, viva do Evangelho» (1Cor 9,13-14).

Em todo o caso, se, nestes últimos anos, o PT conseguiu aumentar sua arrecadação, é porque há pessoas que acreditam na validade de seus objetivos. Da mesma forma, o dízimo é um termômetro que demonstra o grau de satisfação, de acolhida e de comunhão existente na Igreja, e o melhor caminho, senão único, para que ela volte a atrair os homens do século XXI, como, aliás, acontecia em seus primórdios: «Todos os que abraçavam a fé, viviam unidos e possuíam tudo em comum. E, a cada dia, o Senhor acrescentava à comunidade outras pessoas que buscavam a salvação» (At 2,44.47).

 

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