GLÓRIAS AO REI

Nada há, no mundo moderno, que prefigure com fidelidade as pompas, honras e respeito que a figura real possa despertar em um povo submisso. Os reis atuais já não gozam de tantos privilégios. A realeza humana está em decadência. Nos tempos de Jesus a figura real ainda possuía uma mística próxima ao status divino, que despertava no povo euforia pela simples passagem de um rei ou temores pelo que este pudesse decretar ou exigir do próprio povo. Neste estágio de reconhecimento popular se deu a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado como rei e venerado como a nova esperança daquele povo cansado e oprimido pelos reinados vigentes. Era hora de mudar. A cena surreal e improvisada é tão espontânea que quase chega ao ridículo. Imaginem um rei montado num jumentinho sendo introduzido ao seu palácio sob a aclamação de ramos de palmeiras e mantos suados e surrados estendidos à sua passagem. Estava bem distante das pompas e galhardias que exigiam qualquer poder temporal, qualquer suntuosidade real. Mas, no caso, o reconhecimento popular possuía autenticidade. Então, “Hosana ao Filho de Davi”, bendito é Aquele que vem!”. Assim imaginando, a cena nos leva também a pesar a motivação desta. O povo já não aguentava mais tantas situações de mando e desmando, tanta injustiça e humilhação. Era hora do basta! Custasse o que custasse, a voz da verdade proferida por aquele nazareno, sem pompas, sem arrogância no falar, mas com palavras conscientes e objetivas, despertou no povo o adormecido senso de justiça. Mesmo ao afirmar que seu Reino não era desse mundo, ao menos a sombra de suas revelações reluziam na consciência de seus ouvintes e devolviam ao povo o direito de sonhar. Por que não? Se suas palavras iluminavam a realidade com nova esperança, outro não seria o rei desejado e ansiosamente esperado por aquele povo: “Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!”. Todavia, as ilusões das massas são facilmente manipuláveis, de acordo com seus interesses setoriais, grupais, políticos ou mesmo religiosos. Sempre foi assim. Basta pesar o interesse da maioria ou a força dominadora que conduz esses interesses. Aqui entra a manipulação das massas, essa força motriz que muitas vezes se sobrepõe às reais necessidades do povo. Jesus ou Barrabás? Rapidamente, o poder da coerção – sempre ligado ao poder político e financeiro – vai ditar as regras e profanar a escolha santa e isenta do melhor caminho. O mesmo povo que introduziu Jesus pelas ruas de Jerusalém como verdadeiro Rei e Senhor; esse mesmo povo haveria de gritar: “Crucifica-o, crucifica-o”! Como entender essa dualidade? Não há muito a se explicar senão apenas lamentar nossas incertezas diante das diferenças entre os Reinos Celestiais e o reinado humano. Lá impera a Verdade, a lúcida e transparente realeza da Verdade Suprema. Aqui ainda somos dominados e manietados pela voz da mentira, a astucia da maldade e do jogo de interesses pessoais, corporativos, setoriais, que conduzem e sempre conduziram os reinados desse mundo. A escolha é nossa. Decidir entre as ilusórias promessas de segurança, bem estar ou privilégios que o mundo nos faz e a realidade da Promessa que Cristo nos trouxe é o que temos. E agora? Jesus ou Barrabás? Se sua vida ainda está presa aos sonhos e ambições que a vida terrena possa lhe proporcionar, lhe sobra Barrabás. Mas se você já atingiu o estágio de uma esperança sem ilusões terrenas, Jesus é o seu Rei.

WAGNER PEDRO MENEZES
wagner@meac.com.br

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