A rosa e o repolho

Quem tem raízes nos campos e roças desse país, conhece – e muito bem – várias das histórias que a sabedoria popular usa para delas tirar uma lição moral, um ensinamento. Dentre elas está a que hoje nos empresta o título acima. Mas a lembrança vem de um gaúcho de Santo Augusto, que desde criança percorria vários quilômetros aos domingos, para, juntamente com os irmãos e amigos, cumprirem uma missão sagrada: participarem da Santa Missa. Enio Felipin nunca renegou a fé herdada de seus pais, ao contrário, cresceu com ela tornando-se catequista, integrante do Conselho da Comunidade e líder de um grupo de jovens. Até o ano de 2009 residiu nessa colônia, só saindo de lá para aprimorar seus estudos. No entanto, aprimorou muito mais. Profissionalmente, trabalha com jornal e turismo. Estudou Direito, alcançando graduação e mestrado, com dissertação sobre Mediação, que aprimora sobre o ponto de vista dos conflitos na área jurídica. Encontrou sua cara metade – a Lia – com quem logo se casou e hoje moram em Ijuí, (RS), onde constrói sua vida familiar e faz “peão” para a vida missionária. Sim, Enio também é um dos nossos, o quase caçulinha da turma do Meac. Ainda criança já se sentia atraído para o trabalho de evangelização. “Por várias vezes fui convidado a entrar para o seminário, mas sempre percebi que não tinha vocação para padre. Nunca me esqueço de uma palestra de Neimar de Barros que ouvi através de uma fita cassete quando cursava a 5ª. Série, em 1983. Sem imaginar que um dia viria a fazer parte do mesmo grupo de evangelizadores”, deixa escapar com uma pontinha de orgulho. No ano 2.000, virada do milênio, através do Antoninho Tatto, que fazia um trabalho de animação e implantação do dízimo em Santo Augusto, Enio fez duas grandes descobertas: o Meac e o Dízimo. Foi também sua virada Quanto ao Meac, correu atrás. Estabeleceu contato e amizade com o Fonseca, um dos nossos missionários e, literalmente, não mais o perdeu de vista. Passou a viajar com ele naquela região, bebendo avidamente de sua experiência, pois este “foi e continua sendo meu grande formador e inspirador, através de sua história de vida e perseverança”. Hoje o Enio é um excelente articulador de pré-missões, missões e pós-missões, atuando principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Quanto ao Dízimo, não deixa dúvidas. “É uma proposta bíblica apaixonante. Deveria ser um princípio da humanidade, pois trás em seu bojo a Partilha. Há no dízimo uma relação entre Deus e a comunidade. Quando a Palavra de Deus se refere ao Dízimo faz sempre um pedido e uma promessa. O fascinante é o desafio que tange qualquer coração agradecido, ao reconhecer que Deus tem parte naquilo que produzimos. O sistema econômico que rege o mundo é adverso a essa ideia”, nos diz Enio. O futuro advogado da Mediação nos conflitos começa a articular novas mediações. Percebe quão preciosa é sua nova missão, em especial naquela região onde atua. Diz claramente: “A região Sul, principalmente o Rio Grande, traz fortes traços da colonização européia, que possui outra mentalidade para essa questão, tratando o dízimo, equivocadamente, como uma taxa para obter algum direito junto à Igreja”. Afinal, onde entram a rosa e o repolho? Nada a ver com o casal Enio e Lia, pois que este já desabrocha para a alegria de ser Igreja com nítida visão missionária. São pessoas abertas à Palavra de Deus e, como dizimistas conscientes, constroem o futuro sonhando com cristãos mais comprometidos com a obra evangelizadora comum a todos. Mas Enio tem uma palavra final: “Vamos aprender com as flores. Uma rosa, por exemplo, nasce de um botão, mas, para nos dar seu perfume e sua beleza, vai se abrindo, se abrindo… Não vamos ser como o repolho, que nasce aberto e aos poucos vai se fechando, se fechando”. Lição que Enio nos traz da roça… WAGNER PEDRO MENEZES – Meac – 40 Anos

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