A VIRADA DA ESPERANÇA

A VIRADA DA ESPERANÇA Nada há de mais positivo no coração humano que a esperança por dias melhores. Quando uma corrente de positivismo permeia todos os sentimentos e projetos futuros se inflam como frutos sadios na árvore dos sonhos, é porque nossos olhos antevêem seu sabor e nosso paladar deseja saboreá-los um dia. Nada mais simples e natural. Construímos o futuro cultivando o presente. Nessa perspectiva, fico a imaginar como anda nosso presente. O que de mais precioso estamos semeando, para que no futuro possamos nos deliciar com os frutos que almejamos? Quem vento semeia, diz a sabedoria popular, vai colher tempestades. A visão dos fatos que nos envolvem não é de toda agradável. Perdemos –e muito – o referencial da ética, da sã moral, da espiritualidade como tesouro pessoal, da sexualidade como expressão de amor, da educação como fonte de sabedoria, do relacionamento interpessoal e entre os povos como elo de unidade da própria raça, que se diz humana, racional. Assim caminhamos para um fosso de incertezas, autodestruição sem precedentes na história e devastação desmedida, cruel, irresponsavelmente avassaladora. Todavia, um fator nos enche de esperanças: a autocrítica. Se, por um lado nos damos conta dos malefícios que praticamos tanto a nível pessoal quanto coletivo, por outro a consciência desse desastre silencioso, mas real, já é um grande motivador de novas perspectivas, maiores e sempre renovadas esperanças de mudança de rumos. Essa é a grande virtude da raça humana, quando acuada e pressionada pelos próprios erros. A virtude dos fortes, dos que acreditam. E acreditar, aqui, não é apenas olhar um porvir com a utopia de uma realidade oposta. É agir. É caminhar de encontro a um sonho com ações concretas, mudanças de atitudes, práticas inovadoras e mudanças de comportamento. É vestir-se da coragem profética de anunciar novos tempos, denunciando a negritude da inércia presente. Assim mudamos o mundo, mudando por primeiro nosso mundinho de comodismo e conformismo irresponsável. Se a história que escrevemos não é de toda perfeita e maravilhosa como desejamos é porque em nada contribuímos e nós próprios não somos tão perfeitos e maravilhosos quanto pensamos ser. Comece por você. ‘ Diz a experiência coletiva que o bem é contagioso. Lembra aquela velha história da menina pobre que perambulava pelo bairro, cheia de tristeza e desencantada com a vida. Mas possuía uma beleza escondida. Alguém percebeu nela esse encanto adormecido e resolveu realçá-lo. Deu-lhe, como presente, um belo vestido. Ao vesti-lo, a menina se transformou, não apenas visualmente, mas principalmente em seu coração… Descobriu dentro de si uma alegria até então desconhecida. Passou a cuidar melhor dos pertences pessoais, a manter sua casa mais bem arrumada e asseada, a transmitir aos seus, novas perspectivas e esperanças. Contagiado, o pai também passou a se vestir melhor. Na escola, coleguinhas procuravam imitá-la. De repente, uma transformação positiva se processava no bairro, a rua se tornava mais alegre e colorida, as casas ganhavam melhorias de um jeito ou de outro e a cidade começou a exibir uma exuberância até então inexistente. Com seu vestidinho novo, a menina transformou o mundinho onde vivia. Quem sabe nos falte uma roupa nova? Quem sabe o que o mundo espere de nós não seja grandes feitos, mas apenas e tão somente um sinal de mudanças pessoais sinceras, singelas, mas capazes de transformar nossa existência, nossas vidas. Feliz Ano Novo! WAGNER PEDRO MENEZES wagner@meac.com.br

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