AVENTURAS DA VIDA

Que a vida é uma grande aventura não é preciso dizer. Ela sempre nos diz isso, desde seu início até seu derradeiro dia. Vivemos uma grande aventura neste mundo de Deus. Com princípio, meio e fim, mas sem dia, nem hora marcada para se chegar ao ponto final, ao objetivo que nos faz participar dessa maratona de surpresas, descobertas e motivações, eis que ela nos aponta um código de conduta existencialista, cujo nome não importa agora, mas queira ou não, está presente na consciência de todos os que aqui aportam. Ou seja: nesta aventura existem regras para bem-viver.

          Toda e qualquer religião tem lá seus parâmetros existencialistas. Mesmo fora dos princípios religiosos, há também os princípios morais ou sociais, que balizam a existência humana, mostrando ao indivíduo como chegar lá de maneira limpa, honesta, sem ultrapassar as normas básicas duma vida sensata ou ao menos coerente com a ética e seus valores básicos. Cada qual no seu quadrado, a regra tem em comum uma única exigência: respeito aos semelhantes. Eis aqui o mais puro dos valores humanos.

          Mas como seria a orientação cristã para melhor participação nossa nessa aventura? São Paulo, o pregador dos dois lados, pois também foi um excelente doutrinador do paganismo, um dia nos escreveu: “Deus escolheu o que o mundo considera estúpido , para assim confundir os sábios” (1Cor 1,27). Bem o disse aquele que um dia caiu do cavalo com todas as suas teorias e dogmas de vida. O mais estúpido dos códigos de conduta na vida era destinado aos seguidores de Jesus. Segundo Mateus, esse código se resume em nove regrinhas bem contraditórias com os princípios do mundo. Senão vejamos:

          Jesus começa exaltando os pobres, os excluídos e marginalizados que, no pensar e no dizer da sociedade, são os castigados em vida por não possuírem as benesses dos prazeres advindos da riqueza. Esses, sim, são os bem-aventurados, os privilegiados, os primeiros a chegar no Reino dos Céus. Mas além do fator pobreza, que se estende aos desapegados e místicos  capazes de uma vida de simplicidade, há também os que se afligem neste vale de lágrimas e anseiam por transpor seus umbrais na esperança de uma vida diferente. Este é o segundo grupo de bem-aventurados na fé cristã.

          Aos mansos, aqueles que vivem um dia após o outro dando graças e louvores pelo privilégio puro e simples de aqui estar, aos puros de coração e alegres com o pouco ou muito que pensam receber, está confiada a posse da terra, isto é, saberão conduzir suas vidas sem o apego do egoísmo ou da autolatria que sufoca a muitos. Àqueles que clamam e lutam pela igualdade de direitos, pela justiça sem parcialidades, por saciar essa fome e sede tão natural entre os que buscam um mundo novo, está prometida uma saciedade completa. É a quarta categoria dos agraciados pela esperança cristã.

          Porém ao grupo daqueles que olham o mundo com o olhar misericordioso de Deus a promessa é simplesmente recíproca: alcançarão misericórdia. Tal qual os puros de coração, os que se deixam conduzir pelos impulsos de uma alma em sintonia com o coração de Deus. Estes contemplarão o rosto do Pai. Igualmente os benditos promotores da paz no mundo em constante conflito, em luta permanente com interesses e guerras pessoais e contrários ao belicismo das nações que pensam dominar o mundo. Neste grupo se inserem os que são perseguidos por sonharem e lutarem pela justiça não dos homens, mas de Deus.

          Por último, os cristãos perseguidos. Neste grupo estamos todos, se é que nossa fé se enquadra nas oito circunstâncias acima descritas. Se assim o for, seremos perseguidos e injuriados. Se não, desconfie do seu cristianismo.

WAGNER PEDRO MENEZES
wagner@meac.om.br

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