Clemente piedosa e doce

Maio nos lembra Maria. Outrora nos lembrava as noivas e seus vestidos brancos a simbolizar pureza. Mas ainda festejamos a maternidade, como dom maior daquelas que são capazes de gerar a vida. Sim, ainda, pois a proveta ai está e não duvido se um dia surpreendidos formos com incubadoras sofisticadas a substituir o sagrado ventre maternal… Mas, enquanto a lógica persiste apesar das pretensões da ciência que no campo genético já faz diabruras nunca antes imagináveis, o sim de Maria continua música para os ouvidos angelicais.
Salve a Rainha! A maternidade humana está intrinsecamente ligada ao ato da Criação, pois que dá continuidade à obra divina. Com ela nos aproximamos mais da misericórdia do Pai, pois que a cada nascimento renasce a esperança de dias melhores e os céus glorificam o seu nome, enchendo de luz qualquer vale das lágrimas e da insignificância humana. Uma criança assim gerada é depositária dos mais nobres sentimentos e dos mais sagrados sonhos que possamos imaginar para qualquer lar, doce lar. O que é nobre, o que é sagrado dá ares de realeza à maternidade de qualquer mulher; independe de sua condição social. Por isso delas se diz: Rainha do lar!
Vida doçura e esperança nossa! Quem possui outra imagem de suas próprias mães? Por mais indignos, insubordinados, rebeldes e alheios que possamos ser, qualquer filho ou filha têm na figura materna um hiato de paz, de aconchego, de esperança por dias melhores, por caminhos mais largos, por sonhos mais belos. O olhar de mãe, o colo, as mãos, a proteção, o levantar-se das muitas quedas, as vigílias nas noites febris, o cuidado com as ruas, o trânsito, a escola, o lanche, o remédio… Ah, mãe, quanta doçura, quanto carinho, quanto amor!
Pois até Deus, na pessoa de Jesus, experimentou esse privilégio humano: os desvelos de uma mãe. Não era degredado, nem filho de Eva, mas filho de Deus! Princípio e fim, alfa e ômega, a origem de Jesus poderia dispensar a figura materna de Maria, não fosse ela um instrumento precioso aos olhos do Pai. Sua maior e mais preciosa virtude, condição mínima para merecer tão sublime privilégio, Deus não buscou no histórico de sua saúde física, jovialidade, pureza, nem na descendência de seu povo, sua origem, sua formação, suas crenças, nem nas posses ou tradições familiares, nem na cor de sua pele, no idioma que falava, na cultura que possuía… Seu único e maior mérito para ser mãe do Redentor estava em seus lábios e em seu aceito, eu quero… eu agradeço! Eis o segredo de uma maternidade abençoada, privilegiada com hosanas e glórias! Eis o sim de Maria!
Essa é nossa advogada, mãe de Deus e dos homens, cujo olhar maternal suplicamos sobre a humanidade, sobre cada um de nós. Cristianismo sem a maternidade de Maria é órfão, incompleto, imperfeito. Não se compreende uma fé que ignore a importância da mediação de Nossa Senhora no processo da Redenção, pois o próprio Jesus dela se serviu para ser quem foi, realizar o que realizou, ensinar o que nos ensinou. E, numa festa nupcial, quando o filho já adulto e bem formado ainda vacilava no início de sua missão, nada como um empurrãozinho materno. “Mãe, minha hora ainda não chegou”. Como não, depois de tanto desterro, tanto sofrimento, tanta expectativa humana por uma esperança maior? Então Maria dá as coordenadas para o primeiro milagre, o início de todos os demais: “Façam tudo o que ele mandar”.

WAGNER PEDRO MENEZES
wagner@meac.com.br

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