Conheceram-se numa favela

Ele veio para São Paulo em busca de tratamento para a mãe. Era o ano de 1975. Sem muitos recursos, o pai se viu obrigado a vender as terras que possuíam em Ivaiporã, PR e assim custear as despesas com a enfermidade da mãe. O dinheiro acabou e passaram a morar de favor num barraco da favela no Jardim das Imbuias. Logo arrumaram emprego e compraram o próprio barraco, onde viveram por dezoito anos. Ela, também moradora na favela, preenchia seus dias organizando pequenas atividades na comunidade João Paulo I. Ali ensinava o pouco que sabia de violão e liderava o grupo de jovens missionários com o sugestivo nome de LAM, Leigos para Animação Missionária. Alvino, incentivado pela mãe já restabelecida e igualmente atuante na comunidade, começou a frequentar as aulas de violão da jovem Dalva, a coordenadora que fazia de tudo para manter o ânimo daqueles jovens, apesar das gritantes necessidades comuns a qualquer favela. Não deu outra: o acorde em ré menor soou como dó maior; o desafinado aprendiz afinou seu violão com o compasso do coração de sua professora. Entre uma missão e outra, beijos e abraços… Lideraram e marcaram época na então região episcopal de Santo Amaro, levando um testemunho de fé e visão missionária que encantava a todos. Foram várias as missões realizadas por aquele grupo, até que, em 1989, Alvino e Dalva assumiram a maior de todas as missões de suas vidas, a vida conjugal. Neste mesmo ano, face ao desempenho de seus trabalhos numa favela que se tornou referência de espírito missionário na recém criada Diocese de Santo Amaro, o casal foi convidado a ingressar no Meac – Missionários para Evangelização e Animação de Comunidades, cujo núcleo ficava bem próximo da residência do casal. De lá para cá, foram muitas as contribuições desse casal – pau pra toda obra – dentro do grupo. Ele, sempre disposto e solícito a qualquer obra, qualquer desafio. Ela, contabilista de sucesso, tem sido nossa secretária há muitos anos, desempenhando seu papel de mãe e empresária, esposa e missionária, de forma sempre serena e edificante. Quando o Alvino foi designado a um trabalho missionário de mais de mês, no Maranhão, pareceu-lhe quase impossível ficar tanto tempo longe de casa. Mas, com o coração apertado, aceitou. “Encontrei uma realidade muito diferente, que marcou demais. Era uma região de muita pobreza, com distâncias absurdas entre uma comunidade e outra. Ficávamos um dia inteiro balançando dentro de uma caminhonete, para fazer uma única celebração. A saudade apertou, pois o Gabriel tinha um ano de idade e a Dalva estava grávida do Felipe. Como foi difícil! Prometi a mim mesmo nunca mais fazer tal loucura. Mas, para minha surpresa, ao chegar a casa, a alegria e as palavras de Dalva dando graças a Deus pela missão e incentivando-me a outras, me fizeram rever minha promessa. As coisas de Deus estão acima de qualquer pretensão humana”, conclui Alvino. Dalva e Alvino possuem uma visão de Igreja que vai além dos limites das carências e privações que viveram. “A igreja ainda é o maior sinal de esperança para o mundo”, diz ele. Esperança que só se concretizará com a ação missionária renovada de seus fiéis. Alvino sabe o que diz, pois toda sua juventude, vida familiar e profissão foram construídas à luz do Meac, o grupo missionário cujo futuro, segundo ele, “depende da esperança que temos na Igreja”. E conclui: “Missão, para nós, é quase um modo de vida; é um jeito, uma iniciativa que tomamos na comunidade, para firmar e fortalecer a fé; uma maneira de se conscientizar do chamado para sair e evangelizar. É Deus, que, para fazer crescer, manda sol e chuva. Os missionários são os que regam, adubam, protegem, cuidam”. WAGNER PEDRO MENEZES – Meac – 40 Anos

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