DEUS E O DINHEIRO

Deus inventou o homem e o homem inventou o dinheiro. Desde então, essa história tem enveredado por estranhos caminhos, com muitos aclives e declives, curvas e retas, frenagens e derrapagens… Desde então, Criador e criatura buscam acertar seus passos no uso do dinheiro e no equilíbrio de suas bênçãos ou maldições. Muitas são as bênçãos advindas do bom uso das riquezas que o dinheiro proporciona, mas igualmente muitas são as maldições advindas de seu mau uso. Adorar a Deus sobre todas as coisas é próprio da sabedoria e da gratidão daqueles que sabem honrar a Deus com seus bens. Idolatrar o dinheiro e as riquezas que este amealha é típico da avareza que turva e cega nossa visão espiritual.

          Não se trata aqui de simplória separação entre um e outro, entre as riquezas celestiais e terrenas, entre a adoração única e exclusiva à fonte de nossas vidas e a idolatria pura e simples à fonte de nosso bem estar terreno. Deus em sua magnitude e o dinheiro em sua benemerência.

Antes de nossas conquistas sociais e de nosso crescimento em bens e posses materiais está a necessidade de crescermos em sabedoria e graça diante de Deus. O resto virá por acréscimo. Não como nossa ambição desmedida imagina ou deseja, mas conforme os critérios de nosso merecimento e de nossa capacidade ou necessidade. Medir essa graça ao nível de moedas e valores circulantes é pura infantilidade, pois que o critério de nossa relação com o dinheiro é que nos faz mais ricos ou mais pobres. Depende de nossas capacidades administrativas e de nossos projetos ou ideais. Se estes estão em consonância com os planos de Deus para nossas vidas, então serão supridos na medida de nossas necessidades. Nem mais, nem menos. Assim, há muitos milionários sem grandes reservas financeiras ou investimentos em bolsas de valores, como também muitos pobretões investidos de incontáveis fortunas e bens materiais. Dinheiro possuem, mas são paupérrimos esmoleres de dignidade diante de Deus.

“Quem é fiel nas pequenas coisas, também é fiel nas grandes”. A esperteza do administrador infiel diz respeito a todos nós, imbuídos que fomos de fazer de nossas vidas um bem a ser administrado com parcimônia e zelo, responsabilidade melhor dizendo. O problema não são as artimanhas que usamos para maquiar um resultado final, disfarçar nossas negligências e malversações praticadas ao longo do caminho, mas o oportunismo sempre presente na conquista de aparentes vantagens financeiras. O dinheiro proporciona a sobrevivência, mas não nos dá sobrevida espiritual. Dá-nos direitos, mas impõe deveres. Não podemos usá-lo tão somente na obtenção de lucros ou vantagens, posto ser ele também um meio primordial de aquisição do bem comum e prática da solidariedade. O bom administrador acumula para melhor repartir, segundo os ensinamentos divinos. Partilhar ou repartir com justiça é atitude do administrador fiel, construtor do Reino de justiça e amor que deseja nosso Pai Criador. Isso é ser fiel nas pequenas e grandes responsabilidades que uma riqueza justa proporciona aos homens de boa vontade.

          Serviremos a Deus ou ao dinheiro? A lógica nos diz serem poderosos os que pensam ser donos do mundo, os senhores das máquinas e engrenagens que movimentam tesouros, mas arrastam bombas e canhões. É este o senhorio dos povos e nações. Mas a lógica de Deus não usa máquinas, nem canhões. Amassa o barro e nos dá a vida. Sopra nossas narinas e nos dá alento, esperança. Massageia nosso ego e nos faz respirar, suspirar… gemer de dor ou de amor… Dinheiro nenhum compra esse milagre, nossa vida!

WAGNER PEDRO MENEZES wagner@meac.com.br

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