JOVEM BRASILEIRA PODE SER SANTA

Foi ainda um dia desses. Isabel Cristina Mrad Campos, 20 anos, brasileira lá das Gerais, terminava o ensino médio e, com o apoio dos pais, mudava-se para Juiz de Fora, não muito distante de sua terra de origem, Barbacena. Lá pretendia continuar seus estudos. Tinha excelente formação religiosa desde criança e também pelo fato de ter sido aluna de um colégio católico. Após os primeiros meses de estudos em sua nova terra adotiva, um homem que montava um armário em sua residência tentou estupra-la. Isabel resistiu com heroísmo e acabou sendo morta por seu agressor. Era o dia primeiro de setembro de 1982.

          Sua permanente alegria e carinho que tinha com as pessoas menos favorecidas tornou-se seu rótulo, seu diferencial entre todos que a conheceram. De acordo com D. Luciano Mendes de Almeida, ex-arcebispo de Mariana falecido em 2006 e responsável pelo processo de beatificação da jovem martirizada, “não raro, Isabel Cristina ajudava doentes e idosos, dando-lhes, com carinho, alimento na boca […] Discreta, além de inteligente, era querida pelos professores”, escreveu o arcebispo. E concluiu em sua defesa: “Ainda hoje, há muitas pessoas que podem testemunhar sobre sua vida e que apresentam o pedido para que autoridades eclesiásticas examinem oficialmente suas virtudes e a coragem com que enfrentou o martírio.”

          Como vemos, uma jovem dos nossos tempos, igual a tantas outras em sua vidinha pacata, mas extremamente coerente com sua fé e – o que se tornou raro nos dias atuais – defensora intransigente de sua pureza e integridade moral e religiosa, está galgando os primeiros degraus dos altares da fé católica. No último domingo, dia 11 de dezembro de 2022, Papa Francisco prestou homenagem à nossa heroína brasileira: “Ela foi morta em ódio à fé, por ter defendido sua dignidade como mulher e o valor da castidade. Que seu heroico exemplo possa estimular em particular os jovens a darem testemunho generoso de sua fé e de sua adesão ao Evangelho. Um aplauso à nova beata”, conclamou Francisco.

          A notícia de sua beatificação encheu de euforia o povo de Barbacena, em Minas. Tanto que no mesmo domingo celebraram uma missa de ação de graças no Santuário Mariana de Nossa Senhora da Piedade e providenciaram a imediata transladação dos restos mortais da jovem beata para a Capela dos Sagrados Corações de Jesus e Maria. Enfim, Isabel poderá descansar em paz em sua nova casa terrena, ao lado dos corações por ela amados! Enfim, a jovem e nova beata terá sua integridade preservada e defendida pelos anjos e santos de Deus, time do qual agora também faz parte. Só lhe resta a oficialização de sua santidade. É o segundo passo. A segunda etapa de um processo canônico meramente formal, pois que para seu povo e familiares, Isabel Cristina sempre foi, é e será a menina virgem e pura que defendeu com a vida sua dignidade.

          D. Luciano ainda nos deixou um testemunho escrito: “O martírio veio ratificar as atitudes mais profundas de Isabel, que levaram às últimas consequências seu anseio de amar e respeitar a Deus, evitando ofendê-lo”. Esse é o referencial primeiro de uma vida verdadeiramente devota. Basta apenas a comprovação de um milagre para se dar andamento ao processo de canonização de Isabel. Vamos garimpar essa possibilidade, para termos, no mais curto espaço de tempo, a imagem bela e singela dessa brasileira sendo venerada em nossos altares. Através dos nossos santos e santas, Deus seja louvado!

WAGNER PEDRO MENEZES
wagner@meac.com.br

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