O canto do Rouxinol

“É uma ave difícil de se ver. Canta normalmente escondido. Tem uma plumagem discreta, de cor geral acastanhada e mortiça”. Assim a enciclopédia virtual Wikipédia nos apresenta um rouxinol. E ainda diz: “É um dos poucos pássaros que canta também à noite”. Assim, por analogia, também lhes apresento Manoel Rouxinol, MR para seus leitores, diretor e editor da revista e da Editora O Recado. Uma ave rara… Figura humana discreta, mas perfeccionista, a quem a história do Meac, grupo de leigos missionários que chega aos 40 anos no Brasil, deve sua existência e razão de ser. Senão, vejamos: MR chegou ao Brasil como missionário, padre do Instituto Comboniano, com a missão de administrar a revista Sem Fronteiras. Tinha já um histórico de sucesso como jornalista, ao fundar e administrar várias revistas missionárias em Portugal, sua terra, que até hoje por lá circulam. Mas as dificuldades por aqui eram maiores, pois que outra era a realidade brasileira. Acabou por abandonar o projeto, já que sua obsessão era ser pai, ter seus próprios filhos, sua família. Deixou a vida religiosa pelo matrimônio. Optou pelo laicato. Nessa busca, conheceu um grupo de leigos dispostos a evangelizar através de seus dons, incluindo aí livros e revistas. Criou então uma editora com o objetivo de dar sustentação aos missionários do Meac, produzindo materiais de conteúdo, que fossem baratos e acessíveis ao grande público. Sua linha editorial segue até hoje a dimensão missionária e a experiência dos padres combonianos. Depois que deixou a congregação, continuou fazendo o que sempre fez, ser jornalista e missionário. Casou-se com a Alice, mulher espetacular, muito simples, com especial carinho pelas pessoas mais pobres, que lhe deu quatro filhos e agora os netos. Quando perguntavam a um dos nossos como era a editora O Recado, este tinha sempre uma resposta quase irônica, mas singela: “Uma mesa com um português atrás”. Não deixa de ser real. Mas por trás dessa mesa sempre encontramos um ombro amigo, conselheiro sem igual, sincero, amante da justiça, com uma vida bem regrada, que vive de forma simples, sem ostentação alguma. Vive única e exclusivamente em função da Editora e de sua família. Esse é seu canto, seu cantinho entre nós… Quanto ao Meac, apesar de sua história juncada de altos e baixos, Rouxinol ainda o tem como a menina de seus olhos. Nas maiores crises do grupo ou nos momentos de grandes sucessos e também dificuldades, Rouxinol foi o peso da balança para nos alertar ou mesmo nos incentivar com palavras de perseverança. O Meac não teria sobrevivido se ele não tivesse se comprometido como fez conosco. Isso individual ou coletivamente. Tatto, que o acompanha desde o início da Editora, dá-nos alguns testemunhos: “Quando eu e Inês viajamos para Israel, ela lhe escreveu um bilhete dizendo que se nos acontecesse algo de pior, somente a ele confiaria a guarda de nossos filhos”. Ou mesmo, “quando passamos por sérias dificuldades financeiras, prestes a entregar nossa empresa de mão beijada, depois de muitas noites mal dormidas, com nossos filhos dormindo debaixo de nossas mesas, no escritório, ele nos chamou e conscientizou-nos de que não tínhamos o direito de agir assim e nos aconselhou a reverter a situação. O que hoje temos devemos a ele”. Mas, dentro desse missionário da humildade e do silêncio, “que também canta à noite”, nos momentos de crise, está a alma de um poeta nato. Poeta que diante de um quadro artístico do Cristo Crucificado foi capaz de escrever: “Tua luz – teu corpo iluminado – ilumina a cruz / que ilumina o chão que pisamos. / Tu e tua cruz são nossa luz. / Assim te imaginou / – em tua e nossa cruz – Salvador Dali / quando pintou o Salvador daqui, / deste mundo / destes homens, de nós”… WAGNER PEDRO MENEZES – Meac – 40 anos

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