O PATRÃO ESBANJADOR

Já vi de tudo nessa vida, menos um patrão bem sucedido que fosse esbanjador. Não há como associar as duas situações. Quem almeja sucesso em seus empreendimentos não pode se dar ao luxo de esbanjar ou administrar seus recursos sem os critérios do bom senso e da economia. Não foi o que aconteceu com o patrão da história que nos contou Jesus. Imaginem um rico proprietário de terras, dono de uma promissora colheita, de algodão ou café, para melhor nos situarmos. Pois bem, esqueçam também a tecnologia que hoje temos e que dispensa 99% da mão de obra outrora empregada no afã de uma safra. Até bem pouco tempo essas safras eram feitas manualmente, empregando um grande número de trabalhadores. O proprietário de quem nos fala Jesus sai bem cedo contratando operários ao preço de “uma moeda de prata por dia”. A safra promete. Não contente, sai novamente às nove e contrata mais trabalhadores. Mas a safra ainda não rende bem. Sai então “ao meio dia e às três da tarde e faz a mesma coisa”. Todos os contratados recebem a promessa dum mesmo salário. A safra tem que ser feita antes da estação chuvosa; exige rapidez. Então, mais uma vez, volta às ruas às cinco da tarde, e contrata novos trabalhadores. O investimento operacional não importa ao rico proprietário, mas sim que sua colheita seja realmente bem sucedida! Mas eis que, ao final do dia, os operários das primeiras horas se dão por injustiçados. Como podem receber o mesmo que aqueles da última hora? Trabalharam um dia todo, enquanto aqueles que “trabalharam uma hora só”, recebiam a mesma diária, sem “o cansaço, o calor” de um dia inteiro? Não, definitivamente, isso não era justo! E se rebelam contra o patrão, que, serenamente, lhes diz: “Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, por que estou sendo bom” (Mt 20, 15). Em outras palavras: Toma o que é teu e agradeça por fazer por merecê-lo. Essa é a dinâmica do Reino de Deus e sua paga. Não importa o quanto já trabalhamos para merecê-lo, o quanto de nossos dias já gastamos em função de sua conquista. A perseverança em nossos esforços é que nos trará suas recompensas. A justiça de Deus não traça critérios de proporcionalidade, há uns mais, a outros menos! É justo com todos, pois recompensa a todos com a mesma moeda, a certeza de que, mesmo entrando nessa dinâmica de produzir para Deus no último instante de nossos dias, nossa recompensa será a maior das gratificações que nos foi prometida a todos, a alegria de participar da colheita frutuosa do Pai. O que Ele nos pede, além de nossos suores e sacrifícios, é nossa participação concreta e efetiva na safra de um novo Reino, mesmo que sejamos nós os operários da última hora. Sem a contribuição dos que chegaram primeiro, a colheita desejada por Deus não seria tão frutuosa. Sem a contribuição dos que chegaram por último, muitos não participariam da Festa da Colheita. Esse é nosso Patrão. Um Deus amoroso, esbanjador em generosidade, graças e justiça, que nos chama a todos para participar concretamente das alegrias de seu Reino. Um Reino de fartura e bênçãos, onde a safra de um Novo Tempo é partilhada com todos os que acreditam em suas promessas. Ele nos chama para esse trabalho. Não seja você um eterno desocupado.

WAGNER PEDRO MENEZES
wagner@meac.com.br

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