O verão e a exploração sexual

Mais uma vez chegou o verão, estação de maior incidência de luz, calor e… chuvas! Junto com toda a euforia das famílias em férias, visitando seus parentes, curtindo a praia a estação fica marcada pelas catástrofes (anunciadas) que se repetem. Deslizamentos de terras varrem centenas de moradias deixando escombros e mortes, sofrimento e perdas irreparáveis. As manchetes dos jornais, as imagens da televisão, os sites de notícias mostram as “novas velhas” imagens de casas soterradas, cidades invadidas pelas enchentes, gente chorando, desgraça e mais desgraça. Mas, o verão não é só isso! O verão é a estação mais propícia ao turismo, principalmente em um país tropical como o nosso, com praias maravilhosas, com inúmeras atrações turísticas em pequenas, médias e grandes cidades espalhadas por todos os Estados brasileiros. Dados da Embratur (órgão que cuida do turismo no país) revelam a entrada de 5,4 milhões de turistas estrangeiros no país somente em 2011, um número inédito que consolida o bom momento do turismo no Brasil. As autoridades do setor prevêem que se o ritmo de entrada de turistas for mantido, o Brasil estará, em breve, em um novo patamar no cenário internacional E, com isso, a oportunidade de emprego e renda para milhões de brasileiros, muitos dos quais dependem diretamente do turismo para sua sobrevivência. Mas, o verão não é só isso! Há uma face oculta nesse cenário de tragédias e alegrias que revivemos a cada final e início de ano: a exploração sexual de crianças e adolescentes. Dados do Disque Denúncia Nacional (Disque 100) indicam que no ano de 2011, das 195.932 denúncias de violências contra crianças e adolescentes, 28% estavam relacionadas à violência e exploração sexual. A exploração sexual é considerada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma das formas de trabalho mais degradantes, pois a crianças passa a ser tratada como uma “mercadoria”. De acordo com a revista Contato, do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, a exploração sexual é um fenômeno complexo produzido nas sociedades capitalistas globalizadas, abarcando uma diversidade de interações sócio-sexuais. Apresenta-se com diversas roupagens, como: a pornografia, a prostituição, os “programas”, turismo sexual, tráfico para fins sexuais, integrando o chamado mercado do sexo. A publicação revela, ainda, que as populações mais carentes são alvos fáceis, pois recebem ofertas de bens de consumo aos quais não tem acesso, como jantares, passeios, presentes entre outros. Além da exploração, essas crianças e adolescentes tem suas vidas colocadas em risco com a utilização de drogas, bebidas alcoólicas, o sexo desprotegido que leva à propensão de infecção por HIV/AIDS e às doenças sexualmente transmissíveis, gravidez precoce, acidentes de trânsito, mortes por overdose, entre outros riscos para o indivíduo e a sociedade. Além disso, compromete o desenvolvimento físico-psicológico-moral-social das crianças e adolescentes, não levando em conta sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. Segundo a Declaração de Estocolmo, essa exploração atinge todas as classes sociais e acontece por causa da indiferença e pelo desconhecimento das conseqüências nocivas sofridas pelas crianças e adolescentes. Mas, o verão não é só isso! O verão que traz alegria e festa para tantos, não pode acabar cm a vida e promover a exploração de crianças e adolescentes. Cada brasileiro pode ajudar a acabar com esse crime bárbaro denunciando. Com o objetivo de receber/acolher denúncias de violência contra crianças e adolescentes, procurando interromper a situação de violação, o serviço Disque Denúncia (Disque 100) atua em três níveis: – ouve, orienta e registra a denúncia; – encaminha a denúncia para a rede de proteção e responsabilização; – monitora as providências adotadas para informar a pessoa denunciante sobre o que ocorreu com a denúncia. O Disque 100 funciona diariamente das 8h às 22h, inclusive nos fins de semana e feriados. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização, de acordo com a competência e as atribuições específicas, priorizando o Conselho Tutelar como porta de entrada, no prazo de 24 horas, mantendo em sigilo a identidade da pessoa denunciante. O serviço pode ser acessado por meio dos seguintes canais: · discagem direta e gratuita do número 100; · envio de mensagem para o e-mail: disquedenuncia@sdh.gov.br; · pornografia na internet através do portal: www.disque100.gov.br; · ligação internacional (fora do Brasil) através do número 55 61 3212.8400 A afirmação de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”, precisa se consolidar na terra com o anúncio de sua Palavra, mas também por meio da denúncia daquilo que a impede de se tornar realidade no meio de nós. Não esqueçamos que por omissão também pecamos! Odilmar Franco Missionário do MEAC (55 9947 7212) odilmar@meac.com.br

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