PEDRA SOBRE PEDRA

A figura simbólica e representativa de uma pedra, uma pedra qualquer, foi sempre fonte de ensinamentos para a humanidade. Quem nunca ouviu frases com seu sentido metafórico? “Essa é uma pedra de tropeço”. “Não ficará pedra sobre pedra”. “A pedra que os construtores rejeitaram”. “Atirem a primeira pedra”. Na verdade, todas essas frases foram proferidas por Jesus. Mas uma delas, apenas uma, ainda ecoa em nossos ouvidos com uma ação inquietante: “Pedro, tu és pedra e sobre essa pedra construirei a minha Igreja”. Desde então, as pedras e pedreiras que rodeavam o ministério de Jesus nunca mais foram as mesmas. De Jerusalém e seu Templo não ficou pedra sobre pedra. A Antiga Aliança deu lugar à Nova…

            Talvez esse detalhe histórico ainda fuja da realidade mística de muitos, mas aqui nasce um novo corpo, não mais um simples organismo plantado entre tantos já conhecidos, em meio às pedras de tropeço a desviar os caminhos da espiritualidade humana, mas uma pedra-viva, que pulsa no peito de um pescador. Do coração serviçal e disponível de um homem nasce a Igreja de Cristo. Diferentemente das demais instituições nascidas e edificadas a partir de uma cruenta realidade e necessidades de preservação, tais quais as muitas filosofias e crenças que a humanidade construiu para si mesma, mas nunca se deu por satisfeita. Até hoje moldam suas crenças rejeitando a pedra angular, aquela que dá sustento e consistência à solidez da Igreja, a pedra rejeitada, o próprio Cristo.

            Talvez essa narrativa cheia de referências figuradas não encontre eco no coração de muitos dos meus leitores, mas há de calar fundo se houver uma pequena abertura, uma pré-disposição para o dom do entendimento. Deixe de lado suas prerrogativas enraizadas pela auto defesa dos próprios conceitos e ouça mais a simplicidade das palavras de Cristo: “Eu te darei as chaves…” Essa dádiva irá abrir os segredos do Reino dos céus; permitirá a simples mortais vencer muitos dos dilemas que nos cercam, das ideias preconcebidas que adotamos como escudo de defesa, dos conflitos infernais que alimentamos em nome de nossas crenças, das guerras psicológicas – e muitas vezes bélicas – que travamos entre nós apenas para manter nossa zona de conforto religiosa. Depois de Cristo, de Pedro e sua pedra, não mais tem sentido ficarmos atirando pedras entre nós.

            A autoridade legada a Pedro foi muito mais que simples transferência de poder. Jesus lhe passou o cajado do pastoreio com a incumbência de unir céus e terra. Dai o sentido da palavra “religião”, aquela que une, que faz a ponte entre nossa realidade humana e nossa origem celestial. “Tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 19). Aqui não temos meias palavras! Jesus foi claro e suscinto ao instituir sua Igreja. Uma nova forma de praticar a religião, exercer a fé, dar sentido à vida: siga os ensinamentos da sua Igreja! Não nos deixou outro caminho, nem outra doutrina, nem alternativas de mudanças. Essa é a minha Igreja, e ponto.

WAGNER PEDRO MENEZES
wagner@meac.com.br

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