Quarenta anos de deserto

Quando o povo de Deus buscou a liberdade foi obrigado a se purificar no deserto. Quando Cristo iniciou sua vida missionária preparou-se antes durante quarenta dias de jejum e orações. Nada a ver com os quarenta anos do MEAC, grupo de leigos missionários católicos, do qual também faço parte, que realizou sua assembleia jubilar em Salvador- BA, neste final de semana. Forçando uma reflexão mais consistente, temos sim que considerar nossos momentos de deserto, quando avaliamos o histórico de qualquer caminhada na vida. A história do MEAC, Missionários para Evangelização e Animação de Comunidades, é uma história humana, imperfeita em muitos momentos, que traz em sua essência a unção e as bênçãos divinas pertinentes a todos que percebem suas insignificâncias e se fazem instrumentos nas mãos do Pai. Ser missionário, dentro dos princípios da fé cristã, não é nenhum privilégio, mas obrigação. Pertencer, pois, a um grupo de leigos que se dizem missionários é apenas somar forças com o outro, para encarar esse desafio com mais coragem. Dois a dois, Cristo nos pediu. Em grupo, em comunidade, a humanidade venceu muitas das etapas mais difíceis de sua história. Assim também nosso grupo. Falar dos momentos de glória é fácil e gratificante. Um grupo de leigos cujo trabalho evangelizador ultrapassou fronteiras, arrebanhou multidões, foi censurado e incompreendido em muitas de suas ações, possuiu elementos que foram expulsos dos meios de comunicação pela postura ética e cristã que possuíam, mudou e está mudando o conceito de arrecadação financeira dentro da Igreja, dando nova visão à prática do dízimo nas comunidades católicas, não só no Brasil, mas em muitos outros países como EUA, Peru, Moçambique (onde já existe um núcleo do MEAC), Alemanha e outros mais, não é um grupelho qualquer. Setenta por cento das paróquias brasileiras já receberam um dos nossos. Muitos dos livros editados pelo grupo se tornaram best-seller sem que nenhum órgão de imprensa registrasse tal feito. Mas, nessa história de sucesso, foram muitos os momentos de angústia, decepção, solidão. Chegamos ao fundo do poço quando a imprensa agnóstica resolveu nos destruir, aproveitando-se da fragilidade circunstancial de um dos expoentes do grupo. A reportagem sensacionalista caiu como uma bomba dentre nós. Apenas três sobreviveram. Destes, dois continuam, como a nos provar a impotência das forças demoníacas diante das obras de Deus. Neimar de Barros, fundador e divulgador dessa obra, ao contrário do que muitos pensam, não traiu, nem mentiu durante sua vida missionária, mas foi podado momentaneamente como Paulo em sua queda, como Jó em seu leito de dores e angústias. A esses foram dados o privilégio de conhecer a Deus também através da dor e incompreensão. A Neimar, a cegueira e o silêncio hoje purificam sua alma contrita, sempre consciente de suas fraquezas e limitações, mais agora quando padece do mal de Alzeimer, que explica as contradições estapafúrdias daquela reportagem. Justiça seja feita a esse nosso grande missionário. Sobraram dois. Hoje, na Bahia, somos dez vezes mais. No Brasil, na África, muitos outros. Não importa o número exato, mas sim a idéia de que como servos como quaiquer outros, fazemos apenas o que Deus nos pede. Como afirmou D. João Carlos Petrini, bispo de Camaçari, durante nossa assembleia jubilar: “Há quarenta anos, o MEAC se antecipou ao que a Igreja nos pede hoje, a missionariedade. A missão nasce da experiência de plenitude com Jesus. Posso garantir a vocês que essa também foi a raiz da minha vida missionária”. Esse bispo chegou ao Brasil como leigo missionário… WAGNER PEDRO MENEZES wagner@meac.com.br

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