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Eis que meu irmão Fonseca me sopra mais uma vez ao ouvido, para sugerir: escreva sobre Tiago 4, 15. Afinal, que força de persuasão é essa desse meu amigo capaz de impor sem exigir e exigir sem imposição? Sei lá! Só sei que fui à fonte e o assunto me cativou. “Se Deus quiser, viveremos e faremos esta ou aquela coisa”, estava escrito... Maktub, diriam os profetas do oriente. Amém, que assim seja!

Mas não é do destino que aqui ocuparemos nosso tempo. Esse já é por demais discutido, pensado ou ignorado. Seguindo o raciocínio do irmão acima, eis que nos surge um CIC. Não aquele que nos coloca num cadastro de contribuintes obrigatórios e responsáveis com sua pátria, mas o bom e velho catecismo, o Catecismo da Igreja Católica. Em seu número 900 ele nos lembra dos pecados, os muitos pecados que cometemos diante de nossa fé, colocando os desejos de Deus em plano bem inferior às prioridades da nossa vida terrena. Lembra nossas fraquezas, mas igualmente o instrumento que temos para nos redimir diante delas, a Confissão. “Todos os pecados confessados e perdoados no sacramento da confissão não aparecerão nem no nosso juízo particular, nem no final”. Estarão eliminados de nossa história, de nosso curriculum vitae. Querem mais? Pois, se Deus quiser, assim o será. Uma única condição nos é imposta: arrependimento. Deste resulta a remissão ou restauração para início de vida nova diante de Deus e dos irmãos.

E Tiago nos revela a mais pura das verdades nesse processo de restauração humana. Deus a deseja arduamente, permanentemente. Deus assim o quer. Apaga um passado de escuridão e nos revela um futuro de revelações, possibilidades novas, vida transformada em sua misericórdia e por seu amor. Lembra-nos com precisão: “E, entretanto, não sabeis o que acontecerá amanhã! Pois, que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um instante e depois se desvanece” (Tg 4,14). Fumaça é o que somos. Mas essa fumaça tem o sopro divino, qual bolha de sabão flanada por uma criança, mas que encanta os olhos desta, transforma sua feições e desenha em sua face o mais belo sorriso enquanto a frágil bolha ocupa o espaço de sua íris encantada. Assim o somos diante de Deus. Uma bolha que encanta. E se este assim o quis, não foi por acaso, mas com o único propósito de dar mais vida e luz ao Paraíso que aqui ocupamos.

Antes, não podemos nos esquecer de que Paraíso é morada divina. Casa dos eleitos, local da harmonia definitiva. Para o merecermos só seguindo o princípio da vontade de Deus, com seus estatutos de fé e perseverança, longe da infidelidade, desobediência, arrogância e petulância de nos julgarmos senhores e diretores dessa nossa vida frágil e fugaz. Uma boa confissão, reconhecimento de que nada seríamos sem cumprir a vontade de Deus, há de nos devolver a alegria de nos deixarmos conduzir por Ele. Se Deus quiser, seremos preciosos diante de seus olhos. Mas não existe a alternativa “se Deus não quiser”, pois outro não é o desejo do Pai.

Eis que tudo se encaixa. Somos fracos, mas a penitência e reconciliação restabelecem nossas energias. O pecado nos afasta da vontade criadora. Já o desejo do espírito é contrário à fraqueza da carne. Este é nosso grito de socorro, nosso eterno confronto com nossos sonhos de liberdade e os projetos que Deus nos reservou. Confessar essa dualidade é moldar-se aos planos de Deus. “Pai, se possível, afasta de mim esse cálice”, bradou Jesus do alto daquela cruz que nossos pecados lhe ofereceram. Seu lado humano pedia socorro, mas seu espírito foi mais forte. “Não se faça como eu quero, porém como tu queres”. Se Deus quiser, nenhuma cruz impedirá seu projeto de Amor sobre nós. Basta reconhecer nossos pecados. E dizer diante de um ministro que nos represente: Confesso a Deus...

WAGNER PEDRO MENEZES
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