Sabedoria e idiotice humana

Os embates da Ciência com a religião bem os conhecemos. Já os embates da Sabedoria com a Ciência, pouco vemos. Não se trata da simples sabedoria dos espertos, que preenche e justifica muitas das malandragens humanas. Essa é a sabedoria dos tolos. Falo aqui da Sabedoria com “S” maiúsculo, que dá título a um livro bíblico católico por sinal, já que eliminado está de muitas bíblias evangélicas. Conclama-nos, por primeiro, a amar a justiça. “A Sabedoria não entrará na alma perversa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado”, diz logo em seus primeiros versículos. Com tal preâmbulo, o livro atribuído por muitos ao próprio Salomão – rei da Sabedoria – ensina-nos a governar nossas vidas, atentos às revelações do Espírito e aos desígnios de Deus. Já a Ciência humana busca respostas para os mistérios que circundam nossa existência, deixando sem respostas o mistério maior, a tríplice questão dos órfãos divinos: donde viemos, por que viemos, para onde vamos? Pergunta por pergunta, o livro da Sabedoria também nos apresenta uma: “Um belo dia nascemos e, depois disso, seremos como se jamais tivéssemos sido?” (2,2) Dê aqui sua resposta, baseada em sua experiência de fé. Mas baseando-se tão somente na lógica científica, racional, humana, verá quão fugaz é nossa existência e quão triste a certeza final. A esses, nosso livro também aconselha quase ironicamente: “Vinde, portanto! Aproveitemo-nos das boas coisas que existem, vivamente gozemos das criaturas durante nossa juventude! Inebriemo-nos de vinhos preciosos e de perfumes, e não deixemos passar a flor da primavera!” (2,6-8). Esse é o pensamento do mundo sem perspectiva alguma, sem fé, sem um Deus que justifique qualquer Esperança. Só a Sabedoria vinda do alto, como instrumento da revelação divina, presente na unção de Pentecostes como dádiva divina, será capaz de transformar o caos da bestificação humana. Sim, porque humano sem Deus, sem uma réstia de identidade espiritual, há muito deixou de compreender as razões e os limites dos instintos que governam e conduzem a própria existência. Vivem na perspectiva da morte. Diferentemente é a sorte dos que se munem da Sabedoria dos céus. “Se aos olhos dos homens suportaram uma correção, a esperança deles era portadora da imortalidade” (3,4). Os mártires da fé cristã, ao longo dos séculos, ensinaram com suas vidas a lisura e força da verdade que moviam suas existências. Isso é Sabedoria divina. Agora, depois de longos anos aprimorando minha fé, sou obrigado a ouvir de renomados cientistas que religião é uma das maiores idiotices e esta não mais tem espaço na complexa teia dos conhecimentos modernos. Talvez sem o dom da Sabedoria, não tenha mesmo. Mas “a esperança deles é vã, seus sofrimentos sem proveito, e as obras deles inúteis” (3,11). Porque ao menos posso dizer que não dominei quase nada da complexa sabedoria dos homens, nem de sua ciência, nem de sua soberba que se sepulta alguns palmos do chão, mas compreendi a beleza da Sabedoria divina… Esta, sim, dá sentido à vida. Esta ao menos nos diz que “a honra da velhice não provém de uma longa vida, e não se mede pelo número dos anos. Mas é a sabedoria que faz as vezes dos cabelos brancos, é uma vida pura que se tem em conta de velhice”. O grande teólogo dos judeus deixou sua pretensa sabedoria de conhecimentos, sua ciência sem unção, para ser conduzido pela sabedoria da simplicidade cristã. Paulo, um intelectual em sua época, quedou-se diante da ausência de respostas para suas teorias e lógicas. Talvez seja este o maior problema dos que hesitam aceitar Deus nos dias modernos. É de Paulo o maior louvor à sabedoria divina. “Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos! Quem pode compreender o pensamento do Senhor?” (Rom 11,33-34). Antes idiota diante dos homens do que diante de Deus… WAGNER PEDRO MENEZES wagner@meac.com.br

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