UM SORRISO DIANTE DO PRESÉPIO

No centro da celebração do Natal, há um presépio. E no presépio, um Menino. Toda a humanidade é convidada a passar diante dele para contemplá-lo. As reações costumam ser diversas. Há os que passam com indiferença. E são multidões! Vivem como se Jesus Cristo não existisse, como se não tivesse vindo a este mundo, como se não os amasse. Por quê? Talvez ninguém lhes tenha anunciado que “Deus é amor! (1Jo 4, 16); talvez tenham medo de comprometer-se… Pode acontecer também que estejam mais interessados em propostas religiosas ou filosóficas que não os comprometam tanto… Esses são convidados a parar diante do presépio, olhar o Menino que lhes é dado e pedir-lhe: “Se o que falam a teu respeito for verdade, que eu creia em ti! E que te aceite como irmão, amigo, Salvador e Senhor!” Há os que passam pelo presépio como quem está muito cansado de ver aquela cena; ela não lhes diz mais nada. Trata-se daqueles que nasceram numa família cristã e foram batizados, fizeram a Primeira Comunhão, foram crismados e casaram-se na Igreja. E acomodaram-se! Atualmente vivem sua fé com certo cansaço. É uma fé sem entusiasmo. E uma fé sem entusiasmo é um sal sem sabor, uma vela apagada. Esses são convidados a parar diante do presépio, olhar o Menino que lhes é dado e pedir-lhe: “Dá-me fé, Menino Jesus; fé, entusiasmo e alegria! Que eu redescubra a riqueza de tua mensagem!” Há os que passam pelo presépio, contemplam o Menino que lhes é dado, e não sabem o que lhe dizer. Olhando-o, descobrem que ele tem todos os rostos, todos os nomes e é de todas as raças. À primeira vista parecia que o presépio tinha as dimensões do mundo. Percebem aos poucos que não é bem assim: no coração do Menino é que cabe todo o universo, todas as pessoas, cada vida. Nele descobrem o amor do Pai e a força do Espírito Santo. Contemplando-o, não se cansam de admirar a alegre obediência do Filho que “estava voltado para Deus… era Deus… era a verdadeira luz… se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 1.9.14). “Como tudo isso é possível?”, perguntam-se. Ninguém precisa responder-lhes, pois sabem estar fazendo a experiência do mistério. Firma-se em seus corações a certeza de que só há um caminho possível em suas vidas: acolher Jesus, conhecê-lo, segui-lo… Em outras palavras: imitar o Menino no seu dom ao Pai e aos outros. Diante do presépio, silenciam. E sorriem… KRIEGER, Dom Murilo S. R. O primeiro, o último, o único Natal, SP: Loyola, 1996, 3ª edição

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