Uma história de dor e superação

De mãos dadas com o pai, a menina ia habitualmente comprar pão na padaria mais próxima de sua casa. Mas naquele dia 4 de fevereiro de 2001 cruzaram o caminho de um morador de rua, que lhes pediu dinheiro. Sorridente como sempre e comovida com o olhar súplice daquele mendigo, a menina lhe prometeu um lanche. Aquela criança graciosa, ansiosa por proporcionar um sorriso na face sofrida daquele pobre, atravessou a rua mais que depressa. Mas não conseguiu seu objetivo. Um motorista em alta velocidade cruzou o farol fechado e atingiu a menina. Segundos antes havia dito suas últimas palavras diante do mendigo e do pai a seu lado: “Quem ajuda as pessoas é feliz”. Morreu sem cumprir um mandamento evangélico, “dar pão a quem tem fome”. As últimas palavras de Gabriele são hoje o slogan de um projeto social bem estruturado, com o nome de Instituto Gabi, fundado e dirigido por seus pais, o jornalista Francisco Sogari e a pedagoga Iracema. “Gabi viveu apenas seis anos, -diz Sogari – mas foram suficientes para nos ensinar que somente o amor é capaz de transformar o homem e o mundo”. Palavras simples, mas que vindas do coração dilacerado de um pai em pranto permanente, ganham força extraordinária. “Quase fomos vencidos pela dor, – diz ainda – mas buscamos forças em Deus e na solidariedade dos amigos”. Hoje o Instituto Gabi atende quase uma centena de crianças portadoras de deficiência e de baixa renda. Dá muito pão e faz feliz muita gente. Mas, para compreender melhor essa história, precisamos conhecer seus pais. Francisco e Iracema se conheceram num encontro de comunicação. Sempre foram pessoas engajadas na Igreja, sobretudo na Pastoral da Comunicação e Pastoral Social. Sogari conheceu o Meac em 1976, em sua terra natal, Flores da Cunha (RS), quando este grupo de leigos missionários lá desenvolveu um trabalho de evangelização. Os anos se passaram e em 1993, cursando o Mestrado na Metodista e já residindo em São Paulo, Sogari foi a campo em busca de subsídios para sua tese sobre Uso dos Meios de Comunicação na Evangelização. Mais uma vez, topou com o Meac em seu caminho. “Logo me identifiquei e passei a participar do grupo”. Assim, caminhou com o grupo até aquela fatídica data de 2001. Deixou-nos em função de uma missão mais grandiosa. Sua presença e participação no Meac foi muito rica para todos. Afinal, trata-se de um professor de jornalismo de duas universidades paulistas, que muito contribuiu no aprimoramento da área de comunicação do grupo. Hoje divide seus dias para supervisionar o instituto na parte da manhã e à tarde e noite atua em sua profissão. A esposa dá aulas e faz consultoria pedagógica, via internet, além de cuidar do filho João Filipe, 13 anos e dos “demais filhos deixados pela Gabi”. Mas não esquece donde vem a força que os impulsiona: da missão. Diz Francisco: “Identifiquei-me com o Meac pela sua missão: leigos missionários que evangelizam de diferentes formas, sobretudo com os meios de comunicação. Sempre testemunharam a vocação leiga de forma exemplar. Não precisa ser sacerdote e religioso, o cristão leigo tem uma missão importante: ser luz e fermento na sociedade”. Qual o segredo para se superar uma dor tão grande sem revolta, sem imprecações contra Deus? Sogari poderia ter abandonado tudo. Ao contrário, assumiu muito mais diante de Deus e dos semelhantes. Essa é a grande mensagem desse casal, que vem da própria Gabi, ansiosa por dar pão a quem tem fome. Diz o pai: “Ela nos ensinou a viver intensamente cada momento da vida, não importa se é seis anos, sessenta ou mais. Se você participa de algum projeto social, continue. Isto é muito importante; mas se você ainda não se decidiu, se está decepcionado, seja qual for o motivo, junte-se ao Instituto Gabi”. Se quiser ajudar ou conhecer esse projeto, eis a pista:http://www.institutogabi.org.br/.

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