URBANO, O MÚSICO DA FÉ

Você já imaginou que música Maria, José e Jesus ouvia? Urbano Medeiros já. Não só imaginou, como têm reconstruído, através de estudos e pesquisas bíblicas, instrumentos daquela época, para deles tirar seus acordes e louvar a Deus com sua música. Que sons acompanhavam os momentos de louvor do povo que frequentava o Templo ou mesmo quais notas e timbres musicais inspiravam Davi na composição de seus Salmos? Tudo isso Urbano já se perguntou e por isso não desiste de um projeto audacioso que envolve estudo das músicas do oriente, bizantinas, sírias e até músicas dos cristãos da Índia. Mas, afinal, quem é ele? “Sou um pecador público, pequeno, cheio de defeitos, um pai de família e avô”, diz em sua simplicidade. Trata-se, no entanto, de um dos maiores saxofonistas brasileiros, segundo a crítica especializada. Nascido em São João do Seridó, RN, desde criança demonstrou amor à música. Sua origem judaica explica um pouco sua espiritualidade e interesse pela história bíblica, mas “lendo a vida dos santos da Igreja, tive um encontro com a fé cristã” e, desde então “aplico música católica e cristã oriental na vida dos irmãos mais pobres”. Sim, não é difícil encontrá-lo com seus instrumentos a tocar em hospitais, entre doentes terminais, nos presídios onde desenvolve trabalhos missionários ou na rua entre famintos, leprosos, indígenas, pessoas marginalizadas, drogados, aidéticos, alcoólatras, levando não apenas um som e palavras de conforto, mas também por acreditar no poder da música para restaurar pessoas. Em 1981 Urbano conheceu o Meac, Missionários para Evangelização e Animação de Comunidades. Deixou então seu norte e veio somar-se ao trabalho missionário do grupo. “Foi amor à primeira vista, anos super felizes na minha vida”, nos diz, completando: “O Meac foi a maior universidade de toda a minha vida. Devo muito ao grupo. Só aprendizado positivo, até mesmo nas coisas negativas, tão poucas… Tenho muito orgulho de ter passado por esse grupo”. Por razões pessoais, deixou-nos em 1986, levando como espólio desses anos de missão apenas o saxofone, único bem que o grupo pôde lhe oferecer. Em contrapartida, muito mais dele recebemos, com sua presença sempre serena e incondicional amor à vida missionária. Hoje, morador de Pará de Minas, ao lado da esposa Regina, filhos e netos, diminuiu um pouco seu ritmo de trabalho por sérias questões de saúde. Pergunto sobre ela: “Estou numa luta grande e peço as orações de todos…” E chora. Mas encontra forças ainda para nos deixar um recado que considera vital para qualquer família cristã: “A família é a base de tudo. Nenhum sucesso do mundo compensa o fracasso no lar”. Está aí seu recado, “mano santo”. (Foi assim que ele sempre se dirigiu a cada um de nós, dentro do grupo). Esse maninho que coloca alma e coração na boca ao soprar seus instrumentos. Que inventou até uma palavra para definir sua música: hesicasta. Que é isso, meu mano? “Uma forma de estar sempre conectado no Santo Nome de Jesus por meio da respiração. Viver rezando jaculatórias. Eu faço isso enquanto estou soprando nos instrumentos como clarinete, aulos, duduk, etc.” Tá bom, Urbano. Você está sempre se inovando, para honra e glória de Deus. Então diga o que você quiser agora… “Sejamos todos católicos unidos ao ensinamento da Igreja e fiéis a Pedro, hoje Bento XVI. Sejamos escravos do amor de Maria Santíssima. A época é de Maria. Não tenho medo nenhum de ser criticado por esta minha fidelidade à Igreja Católica e ao seu magistério. Quero morrer nos braços da Igreja de Cristo!” WAGNER PEDRO MENEZES – Meac – 40 anos

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