Ecumenismo e diálogo inter-religioso

Nos dias 10 a 12/2012 de fevereiro, a Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB realizou, no Centro de Acolhida Missionária, no Rio de Janeiro, o III Simpósio sobre o Ecumenismo e o XV Encontro de Professores de Ecumenismo e Ensino Religioso. O Simpósio/Encontro de Professores contou com a participação de mais de 60 participantes, oriundos das diversas regiões do Brasil. Além dos professores, participaram também do Simpósio bispos referenciais e assessores para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso nos Regionais da CNBB e nas dioceses, agentes das mais diversas áreas de pastoral – diáconos, padres, religiosos, leigos – e representantes da Igreja Presbiteriana Unida e da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. A realização do Simpósio foi precedida pela reunião do Grupo de Reflexão sobre o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso – GREDIRE, que ajuda a Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso na reflexão sobre os desafios e as possibilidades para o diálogo no Brasil. O GREDIRE tomou conhecimento do Plano Quadrienal da Comissão Nacional, e analisou como favorecer a realização dos projetos que a Comissão possui para o ano de 2012. Na celebração de abertura, na noite do dia 10, Dom Francisco Biasin, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, enfatizou que o ecumenismo deve ser uma opção de cada fiel católico, porque é uma opção do próprio Cristo, do seu Evangelho e da Igreja. Isso exige abertura para o outro, o diferente. Afirmou que é próprio da cultura do povo acolher o diferente, dialogar, conviver. Diante do religioso, o povo tem atitude de respeito e veneração. Não é com ataque e defesa aos membros de outras igrejas e religiões que aprendemos a ser cristãos, mas com simpatia, acolhimento, escuta e ação conjunta. Dom Biasin comunicou que a Comissão que ele preside está disposta a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que a causa da unidade dos cristãos e o diálogo entre as religiões se intensifique no Brasil. Visitas O Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Kurt Koch, visitou os participantes do Simpósio. Manifestou sua alegria em saber que havia esse Simpósio sobre Ecumenismo no Brasil e da possibilidade em visitar os participantes do evento. Falou-lhes sobre o diálogo que a Igreja católica com realiza com as Igrejas Ortodoxas e Evangélicas no nível internacional, seus desafios e seus frutos, e incentivou a todos para fortalecerem a convicção ecumênica, afirmando a centralidade da oração e a importância da formação para que o diálogo dê bons frutos. O Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, também visitou os participantes do Simpósio, manifestando seu contentamento pelo fato de que o evento acontece no Rio de Janeiro e por constatar o número significativo de participantes, expressando seu desejo que o ecumenismo e o diálogo inter-religioso se afirme como convicção de todos e da Igreja. Falou também da preparação da Jornada Mundial da Juventude que acontecerá no Brasil em 2013. Conteúdo do Simpósio Os participantes do Simpósio refletiram sobre A Diversidade Religiosa no Brasil. Com a assessoria do Prof. Emerson J. Sena da Silveira, da Faculdade Federal de Juiz de Fora, analisaram os últimos dados do IBEGE sobre o universo religioso brasileiro. Esses dados foram analisados na perspectiva sociológica, através de leituras quantitativas e qualitativas. Constatou-se que o Brasil é fundamentalmente religioso, mesmo se tem havido crescimento no número de pessoas que dizem não terem religião nenhuma. O universo religioso é plural, mas há quem se pergunte que valor tem a diversidade religiosa no Brasil se a maioria absoluta da população é cristã. Analisando o pentecostalismo, destacou o fato de que é o neopentecostalismo que mais se manifesta hoje na sociedade brasileira, com uma variedade de características que dificultam sua compreensão. O Pe. Marcial Maçaneiro apresentou uma leitura teológico-pastoral do pentecostalismo. Mostrou que o pluralismo pentecostal não possibilita fáceis consensos em sua compreensão. Foram analisadas algumas das características das comunidades pentecostais que ajudam a compreenda-las em sua auto-consciência teológica, entre outras: o Batismo no Espírito, o processo de conversão, a santidade, os carismas e ministérios, a centralidade da palavra, a missionariedade. Foram analisados também alguns elementos em relação com a doutrina católica, sobretudo o Batismo e a Eucaristia. Constatou-se que, não obstante as diferenças com a doutrina católica, há possibilidade de diálogo em torno desses elementos. Mostrou que esse diálogo já acontece em nível internacional desde 1972, e apresentou as iniciativas de diálogo católico-pentecostal existente no Brasil, concentradas, sobretudo, em encontros celebrativos, na perspectiva do louvor. Os participantes do Simpósio refletiram também sobre o modo como a Igreja no Brasil orienta o diálogo ecumênico e inter-religioso. O Pe. Elias Wolff, assessor da Comissão Nacional, apresentou um organograma que mostra a estrutura do serviço a favor do ecumenismo e do diálogo entre as religiões no país, e o “Plano Quadrienal – 2011-2014” da Comissão Nacional. Reunidos por regiões do país, os participantes do Simpósio buscaram identificar algumas dificuldades, os aspectos positivos e dar sugestões para o crescimento do diálogo ecumênico e inter-religioso nos diferentes regionais da CNBB. Das dificuldades, destacam-se: 1) A pouca organização da ação para o diálogo ecumênico e inter-religioso nas dioceses e regionais; 2) Algumas pessoas apresentam-se como “referenciais” para incentivar o ecumenismo nas dioceses e regionais, mas não se percebe uma atuação convicta, capaz de dinamizar a Igreja local para essa causa; 3) O pouco investimento na formação ecumênica e inter-religiosa dos agentes de pastoral; 4) A pouca informação nas dioceses sobre os projetos ecumênicos do CONIC; 5) A dificuldade para ter o apoio do clero para as iniciativas ecumênicas – como a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos; 6) A falta de recursos para a participação em eventos ecumênicos; Dos aspectos positivos, salientou-se: 1) Há pessoas convictas sobre o valor do ecumenismo e o diálogo inter-religioso nas dioceses e regionais. Precisam ser fortalecidas e encontrar mais espaço para atuarem; 2) É louvável o empenho da CNBB para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso, explicitado nos projetos da Comissão específica; 3) A abertura para o diálogo interreligioso, sobretudo com as tradições religiosas afro; 4) A abertura para o diálogo com os pentecostais; Das sugestões: 1) Fazer simpósios de formação para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso nos regionais da CNBB para favorecer mais a participação das lideranças da região; 2) A Comissão Nacional poderia buscar recursos para favorecer a participação das pessoas com dificuldades econômicas, mas militantes no ecumenismo e diálogo inter-religioso; 3) Garantir sempre a presença de representantes de outras Igrejas; 4) Tornar mais conhecido os projetos ecumênicos da Comissão Nacional nas dioceses e regionais; 5) Temas para o próximo Simpósio: diálogo interreligioso, pentecostalismo, ensino religioso.

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