O repórter que perdeu o foco

Seria uma matéria banal, não fossem os olhos sedutores da coordenadora do grupo, Rosana. Para a emissora de TV de Curitiba a atuação do Grupo de Jovens da Paróquia N. Sra. das Mercês mereceria uma pauta no noticiário local, mas para o repórter Odilmar a dificuldade foi conciliar imparcialidade com revelação, atração… O fato é que a matéria não saiu a contento, pois o repórter perdeu o fôlego diante da serenidade e paz que irradiavam daquele grupo, em especial de sua coordenadora. O reencontro se deu anos depois, com a jovem Rosana já formada em psicologia e Odilmar ainda teimando com sua câmara e pautas de redação. Um ano e meio apenas e já estavam casados. A matéria saiu do ar. Mas a vontade de vencer, comum a qualquer casal, logo era mais forte do que eles próprios imaginavam. E venciam. Conseguiram bons salários, casa própria, status. “Já quase não sobrava tempo para a Igreja e os problemas começaram a se avolumar”. Veio a primeira crise e a quase separação. “Um dia encontramos o Fonseca, missionário leigo, pregando na Paróquia Santo Antonio, Bairro Boa Vista, em Curitiba. Após a missa eu o procurei na sacristia – diz Odilmar – e lhe entreguei uma carta. Duas semanas depois deixamos nossos empregos, vendemos nosso apartamento e fomos para São Paulo, para ingressar no Meac”, o grupo de Missionários para Evangelização e Animação de Comunidades. Foram bem aceitos no grupo e passaram a gerenciar a Casa São José, cuidando da formação de novos missionários. Um ano depois, ficaram “grávidos” da Amanda e resolveram voltar para Curitiba. Tempo de nova crise, desta vez financeira. Mas a vida missionária continuava, agora com muitas viagens pelo país. “Às vezes tinha vontade de desistir, buscar um emprego normal, mas Rosana me dizia: Nossa Senhora estará conosco e nada vai nos faltar, porque você estará trabalhando para o Filho dela”. Odilmar e Rosana Franco é hoje um casal realizado. Com três filhos jovens – Amanda (a mais velha), Isabela e Rodrigo (gêmeos) – formam o que se pode dizer uma família missionária. Tanto os filhos como o já “futuro” genro, constituem o grupo do Meac de Palmeira (próximo a Curitiba), onde são responsáveis pelo COMIPA (Conselho Missionário Paroquial), administram o site do Meac (www.meac.com.br) e continuam viajando pelo Brasil (recentemente Odilmar esteve em Moçambique), sempre com o desafio de implantar o Dízimo nas paróquias por onde passam ou apenas animá-las missionariamente. Rosana, a psicóloga dessa família de “loucos”, mantêm-se serena e bem determinada na coordenação do seu novo grupo de jovens. “Nossos filhos são hoje missionários como nós. Têm visão missionária, gostam da missão, têm valores e são nossa maior riqueza”. Não é para menos. Afinal, cresceram viajando com os pais e vivendo na estrada a alegria de ser Igreja missionária no mundo de hoje. Quando pequenos, “fazíamos a cama deles no banco traseiro do carro e cruzávamos o Brasil em missão, viajando noites inteiras”. Hoje os vêem como frutos maravilhosos da frondosa árvore regada por Deus. “Se a árvore é boa, dá frutos bons”, diz Odilmar, citando o Mestre. E acrescenta: “Depende muito da família e das sementes que são semeadas desde a primeira infância. De forma geral, a família passa por crises, que são agigantadas pelos meios de comunicação, que apresentam outros valores e costumes. Pais e mães ausentes em função da vida moderna, do trabalho profissional… Os jovens se encontram perdidos e buscando se firmar como agentes da própria história”. Mas que história, quando muitos pais nada fazem para dignificar a própria? Odilmar pode ter perdido o foco daquela matéria, lá atrás. Mas encontrou outro foco no amor de Rosana e na nova pauta de trabalho que Deus lhes reservou, um freelancer da missão. WAGNER PEDRO MENEZES – Meac – 40 Anos

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