SANTO DA CASA

Nenhum profeta é bem visto em sua própria terra. Nenhum santo é reconhecido por sua família. Ou, como bem dizemos: santo da casa não faz milagres. Em suma, esta é a mensagem que Marcos registrou em seu evangelho (Mc 6, 1-6) para nos dizer da rejeição que as ações milagrosas de Jesus receberam de seus conterrâneos e familiares. “Não é este o filho do carpinteiro”? A cena nos remete a situações bem conhecidas no nosso meio. De fato, é difícil para nós mortais a compreensão de que Deus continua a agir em nosso meio. E o faz, muitas vezes, através de alguém bem próximo de nós, um irmão, um parente, amigo ou amiga de nossa convivência diária. Às vezes uma graça alcançada vem das mãos de alguém que sequer imaginamos como instrumento de uma ação milagrosa. Às vezes somos nós mesmos esses instrumentos, despretensiosos, incapazes, imperfeitos, mas eficientes quando postos a serviço da graça divina. Já ouvimos muitas vezes: não somos nós que nos tornamos capazes, é Ele que nos capacita! Nada temos de perfeição, mas a Perfeição age em nós, quando nos deixamos conduzir e agir conforme sua Vontade. Ora, é de onde menos se espera que surge um milagre em nossas vidas. Às vezes, sorrateiramente. Outras, ostensivamente. Na surdina ou no alvoroço, no corre-corre da vida diária, o fato é que Deus nunca desampara aqueles que Nele buscam sua misericórdia e seu amor. Mesmo que aparentemente essa ação tenha um rótulo derrotista ou com ares de um fracasso momentâneo, dia mais, dia menos, compreenderemos que aquele momento de angústia, sofrimento ou morte foi apenas circunstancial. “E ali Ele não pôde fazer milagre algum”, mas não os abandonou pela simples rejeição momentânea. Jesus continuou presente com sua ação solidária, realizando curas, “impondo-lhes as mãos”. Derramava-lhes o Espírito de sua missão purificadora, transformadora. Um dia, quem sabe, iriam compreender. Essa é a graça que a presença cristã realiza no mundo! Mesmo com toda rejeição, intolerância ou ironia contra nossa fé, o milagre continua como sua marca registrada. O cristão que se deixa guiar pela força da fé que o congrega, quer queira ou não, torna-se membro da família de Cristo, toma parte do ministério de transformação, a fonte dos milagres que Deus realiza dentre os seus. Porque Jesus age por aqueles que Deus lhe deu, porque somos Dele. “Tudo o que é meu é teu. E tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado” (Jo 17, 10). Somos, pois, membros da família trinitária, fonte do milagre da vida. Quem, portanto, é este que faz milagres entre nós? As respostas aí estão. Quando nos rejeitarem pelo simples fato de traçarmos em nosso peito o sinal da cruz cristã ou proferirmos nossa crença em milagres, ou aceitarmos com amor nossas cruzes cotidianas, não desanimemos. Isso tudo Ele já sofreu por nós! Agora é nossa vez

WAGNER PEDRO MENEZES
wagner@meac.com.br

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