Terceiro Congresso Missionário Nacional

A Igreja do Brasil se prepara para o 3º Congresso Missionário Nacional – 3º CMN, que reunirá entre os dias 12 e 15 de julho em Palmas, TO, cerca de 600 pessoas de todas as regiões do país. O Congresso terá como tema “Discipulado missionário: do Brasil para um mundo secularizado e pluricultural à luz do Vaticano II”. Apesar das dificuldades existem algumas iniciativas que ajudam a colocar a Igreja em “estado permanente de Missão”, como por exemplo, o Projeto Igrejas-Irmãs, da CNBB, entre os Regional Sul 1 (estado de São Paulo) e o Regional Norte 1 (Amazonas e Roraima). Desde o seu lançamento em 1994 até hoje, este Projeto já enviou mais de 70 missionários e missionárias, entre padres, religiosas e leigas que serviram de um a quatro anos em diversas dioceses da região amazônica. Padre Antônio França e a leiga Glória de Freitas, da diocese de São José dos Campos, SP, partiram para a Prelazia de Tefé, em setembro de 2011. Padre Isaías Daniel, da diocese de Limeira, SP e a leiga Izalene Tiene, da arquidiocese de Campinas, foram enviados recentemente para a diocese de Alto Solimões na Amazônia. Com eles, hoje atuam pelo Projeto, sete missionários e missionárias (três leigas e quatro padres) em Coari, Tefé e Alto Solimões, na Amazônia e na diocese de Roraima. As Igrejas na região buscam um rosto próprio, conscientes de que a Amazônia é constituída por muitas “amazônias”. A inculturação da fé passa por diversas culturas: povos indígenas, quilombolas, seringueiros, lavradores, ribeirinhos, pescadores, culturas dos migrantes e a cultura moderna nas cidades. Em entrevista, dom Roque Paloschi, bispo à frente da diocese de Roraima desde 2005, faz um balanço da presença missionária dos religiosos e das religiosas, leigos e presbíteros que armaram a sua tenda na Amazônia como testemunho e profecia. Como o senhor avalia a cooperação missionária através dos Projetos Igrejas-Irmãs no Brasil? Como um sinal profético e de grande fecundidade para as Igrejas, tanto para aquela que envia, como aquela que recebe. A experiência ajuda a superar uma mentalidade muitas vezes de autossuficiência e a perceber a universalidade da Igreja e sua missão. Ajuda-nos a entender que a preocupação com a missionariedade não deve ser uma tarefa só dos Institutos Missionários e das Congregações, mas de toda a Igreja, pois pela força do batismo todos nós somos missionários. A cooperação entre Igrejas-Irmãs favorece a percepção de que não há uma Igreja que apenas dá e outra que só recebe, facilita a reciprocidade. Possibilita o crescimento de uma Igreja com mais experiência e ao mesmo tempo, mais jovem, ambas com suas peculiaridades, desafios e caminhos trilhados; ambas vão alargando os horizontes e também o coração. Chegou a hora da Igreja no Brasil dar mais para a Missão além-fronteiras? Fico sempre com uma grande interrogação: como seria a vida da Igreja do Brasil se não fosse a generosidade de tantas dioceses do mundo, sobretudo da Europa? Creio que nós estamos dando passos significativos e vejo com muita esperança o desejo de tantos leigos, leigas e padres diocesanos se colocarem à disposição para abraçar a missão em outras regiões. A Conferência de Aparecida nos interpela a entrar num estado permanente de missão e também nos lembra da responsabilidade para que o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo seja testemunhado em tantos lugares do mundo, quando afirma: “O mundo espera de nossa Igreja latino-americana e caribenha um compromisso mais significativo com a missão universal em todos os continentes. Para não cairmos na armadilha de nos fechar em nós mesmos, devemos formar-nos como discípulos missionários sem fronteiras, dispostos a ir “à outra margem”, onde Cristo ainda não é reconhecido como Deus e Senhor, e a Igreja não está presente” (DA 376). Para a diocese de Roraima que já recebeu missionários pelo Projeto, qual a importância dessa iniciativa? É uma bênção sentir a comunhão de todas as dioceses do Regional Sul 1 colocando-se a serviço para colaborar com as necessidades das Igrejas Particulares do Norte 1. Isso aproxima as nossas Igrejas, cria laços entre nossas paróquias e comunidades, aumenta o interesse de todo o povo de Deus que acompanha com carinho, orações e também com ajudas concretas aos missionários enviados e as necessidades da missão aqui do Norte. O projeto reforça os caminhos traçados pelo Concílio Vaticano II e nos ajuda a perceber que nós precisamos saber partilhar também da nossa pobreza. Avalio como positivo. É sinal de maturidade também de nossa Igreja. Somos uma Igreja de Comunhão e Partilha. Louvo e agradeço ao bom Deus pela dádiva dos missionários que vindos do Regional Sul 1 abraçaram as alegrias e as tristezas, os sonhos e as esperanças, o sorriso e as lágrimas dos povos que vivem aqui em Roraima

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