Um cego chamado Jean

A história dos quarenta anos do Meac, como grupo de leigos missionários no Brasil, foi aureolada com nomes de peso do meio artístico, pois que sua origem se deu exatamente nesse meio. Assim, passaram por esse grupo artistas de renome, muitos dos quais até hoje na berlinda do sucesso. Quem imagina, por exemplo, um Jô Soares missionário, ministro da Eucaristia? Ou um cantor de nome como Peninha, Marcos Baby Duran, Antonio Marcos (falecido), Antonio Cardoso, etc. Ou apresentadores e humoristas tais como Raul Gil, Arthur Miranda e outros? Pois todos estes viveram ou ainda vivem a experiência do ardor missionário que a proximidade de Cristo nos proporciona, dentro do Meac. Dentre esses também esteve um representante dos Estados Unidos da América que muito sucesso fez entre nós. Quem ainda se lembra de Edward Cliff e sua música “Nigths of september” ou “I had to go”? Tudo bem: a música e a voz você talvez tenha conhecido, mas o cantor, não com certeza. Simplesmente porque na realidade o cantor era “um cego chamado Jean”, brasileiro, paulista da gema, que, estigmatizado pela deficiência e preconceitos, usou sua voz e talento sob o disfarce de cantores americanos. Fez sucesso sob vários pseudônimos, tais quais Michael Davis, Peter Knaap, Gary Bristol, Steve Brandy e outros mais. Gravou e estourou no Brasil com a faixa “Another Song” e sob o codinome de Michael Davis, um dos temas da novela Semideus, da Globo. Assim, disfarçado, Jean Carlo durante anos saboreou o sucesso sem o aplauso e o calor humano de seu público. Mas acordou para a realidade ao assumir sua própria identidade e emplacar dois sucessos seguidos, interpretando “Aline” e “Eu nasci pra você”. “Um dia fui convidado para participar de uma reunião com alguns elementos que se haviam convertido e que eu conhecera no passado. Sinceramente não acreditava na mudança deles: Neimar de Barros e Arthur Miranda”, declarou em livro que narra sua história. Começou ai a nova fase desse extraordinário cantor e missionário leigo, que se juntou aos demais missionários do Meac, para, durante 15 anos percorrer o Brasil, evangelizando. Deixou o grupo em 1986, mas continuou sua vida missionária, com esporádicas apresentações em emissoras de TV católicas e eventos evangelizadores. Anos depois, comentou comigo: “Quem bebe do néctar da missão de Cristo, não pode, não tem direitos, não mais consegue voltar atrás”. Gravou uma das interpretações mais ungidas da letra “Creio em Ti”. Tão bela e maravilhosa em sua voz que qualquer outro cantor, por mais talentoso que possa ser, nunca irá igualar essa sua interpretação. A respeito dessa obra prima, foram muitas as conversões que presenciei em vários momentos, uma delas em Assis, quando ligamos seu órgão eletrônico em voltagem imprópria e tudo acabou num grande estouro. Usamos então o recurso do play-back, que exigiu muito mais do cantor. Ao final da apresentação, alguém sensibilizado com a mensagem, deu-lhe de presente uma importância superior ao valor do aparelho queimado, dizendo: Essa voz não pode parar! Esse foi o artista Jean. Seu testemunho missionário ainda persiste, como homem de fé arraigada e pai de família exemplar. Seu aparente silêncio em nada desmerece sua intensa atividade de cantor e pregador cristão, que muito bem fez naquela época e muitos ensinamentos ainda nos oferece. “De Zé a Jean, de fútil a cristão, de cantor a missionário, hoje amo mais e respeito mais meu semelhante. Cheguei a tal ponto que nem me considero mais um cego, porque cego para mim é todo aquele que não quer enxergar. Eu perdi a vista, mas não perdi a visão do mundo de Deus”, conclui em seu livro. WAGNER PEDRO MENEZES – MEAC – 40 Anos

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